O corpo do adolescente Deivison Rocha Dantas, de 13 anos, morto após um ataque de tubarão na quinta-feira (29) em Olinda, na região metropolitana do Recife, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (30). A vítima chegou sem vida ao serviço médico após ser mordida pelo animal.
Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o animal possivelmente pertence à espécie tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), muito comum na região. A lesão que matou o jovem, situada na coxa direita, tinha 33 cm de diâmetro e apresentava um padrão "compatível com uma dentição do tipo 'garfo/faca'".
"Esse tipo de dentição é característica de tubarões do gênero Carcharhinus, especialmente do tubarão-cabeça-chata. As peculiaridades ambientais da área, próxima a estuário e à desembocadura de rios, reforçam essa hipótese, uma vez que a espécie apresenta elevada afinidade com ambientes costeiros, estuarinos e de influência fluvial", explicou o Cemit em nota.
O comitê revelou que desde 1992 foram registrados 82 incidentes com tubarões em Pernambuco, sendo 67 ocorrências no litoral continental (concentradas principalmente na Região Metropolitana do Recife) e 14 no Arquipélago de Fernando de Noronha.
Um trecho de 33 quilômetros de praia no grande Recife, que vai dos coqueirais da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, até a Praia do Farol, em Olinda, é considerado pelo Cemit como área de atenção com maior probabilidade de incidentes. Um decreto estadual proíbe a prática de atividades náuticas nesses 33 km, mas não o banho de mar.
O único ponto proibido legalmente para banho é um trecho de 2,2 km da Praia de Piedade, entre a Igrejinha de Piedade e o Hotel Barramares, localizado ao lado do Hospital da Aeronáutica do Recife. Essa proibição foi estabelecida por decreto do município de Jaboatão dos Guararapes.
O Cemit informou ainda que estão instaladas 150 placas de sinalização sobre área sujeita a incidentes com tubarão no litoral de Pernambuco, das quais 13 estão em Olinda e 4, especificamente, na praia de Del Chifre.
No início deste mês, o governo de Pernambuco divulgou um edital para retomar o monitoramento de tubarões no litoral do estado, interrompido desde 2015. O projeto prevê o acompanhamento dos animais com uso de microchip e investimento de até R$ 1.052.000,00 por 24 meses.
O foco principal será o trecho prioritário de aproximadamente 33 km de praias, conforme estabelecido pelo Decreto Estadual 21.402/1999 e pelo Decreto Municipal nº 79/2021. Atualmente, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) faz monitoramento apenas no arquipélago de Noronha, com apoio do Governo de Pernambuco, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Econoronha.

