Com a chegada do verão, os paulistas começam a planejar os fins de semana e feriados no litoral. Além de não esquecer o protetor solar, a garrafinha de água e o bom humor, uma preocupação importante deve fazer parte da lista: verificar se o mar está liberado para o banho. Nesta quinta-feira (22), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgou seu mais recente boletim de balneabilidade, trazendo uma boa notícia para os veranistas: 86% das praias monitoradas no litoral paulista estão próprias para os banhistas.
Do total de 175 praias analisadas, 151 receberam a classificação de próprias, enquanto 24 foram consideradas impróprias. Entre os pontos com restrição, a maior concentração está na Baixada Santista, com 15 praias, seguida pelo Litoral Norte, com 9 locais onde o banho não é recomendado. Os dados mostram uma melhora significativa em relação a períodos anteriores, refletindo tanto condições climáticas favoráveis quanto investimentos em saneamento básico.
Há exatamente cinco décadas, técnicos da Cetesb realizam esse monitoramento semanal, coletando amostras de água exatamente nos pontos onde os banhistas costumam entrar no mar. O processo é padronizado: as equipes coletam a água a cerca de um metro de profundidade, sempre no mesmo local, e levam as amostras para análise em laboratório. O objetivo principal é detectar a presença de Enterococos, bactérias microscópicas que funcionam como indicadores de contaminação fecal.
"A água aparentemente limpa pode estar imprópria. Por isso, o monitoramento é essencial para orientar a população e apoiar a gestão pública", explica Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb. A especialista reforça que essas bactérias são invisíveis a olho nu, mas sua concentração determina se uma praia é segura ou não para o banho.
O critério de classificação segue padrões técnicos rigorosos. Uma praia recebe a bandeira verde quando os resultados das análises estão dentro do padrão de segurança. Já a bandeira vermelha é hasteada quando duas ou mais amostras das últimas cinco semanas superam 100 colônias de Enterococos por 100 mL de água, ou quando a coleta mais recente ultrapassa 400 colônias por 100 mL. O histórico de cinco semanas é utilizado para refletir uma tendência real da qualidade da água, evitando que alterações pontuais causem classificações equivocadas.
A Cetesb faz um alerta importante sobre a influência do clima na balneabilidade. Chuvas intensas, comuns durante o verão, podem alterar temporariamente a qualidade do mar. A recomendação é evitar o banho por pelo menos 24 horas após chuvas fortes, mesmo em praias normalmente classificadas como próprias. Canais, rios e córregos que deságuam na praia também devem ser evitados, pois podem receber esgoto irregular durante períodos de chuva.
Outros fatores que podem tornar a água imprópria incluem floração de algas, derramamentos de óleo ou descargas acidentais de poluentes. Por isso, mesmo com o boletim positivo, os banhistas devem ficar atentos a mudanças visíveis na água ou na areia da praia.
Para consultar a situação atualizada das praias, a população pode acessar o site da Cetesb (www.cetesb.sp.gov.br) ou baixar o aplicativo da instituição, disponível para Android e iOS. As informações são atualizadas sempre às quintas-feiras. Além disso, nas praias monitoradas, bandeiras verdes e vermelhas são colocadas semanalmente para orientar os banhistas sobre as condições de balneabilidade.
O trabalho da Cetesb vai além da simples classificação. Os dados coletados ao longo de 50 anos têm servido como base para políticas públicas de saneamento e conservação ambiental, contribuindo para a melhoria contínua da qualidade das praias paulistas. Enquanto isso, para os veranistas, a dica é simples: aproveitar o verão com segurança, hidratação e informação atualizada sobre onde mergulhar com tranquilidade.

