O verão 2025/2026 no Paraná foi marcado por uma combinação de seca, calor intenso e eventos meteorológicos extremos, como tornados e nuvens funil, mesmo com chuvas abaixo da média histórica. De acordo com o balanço apresentado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) na quarta-feira (18), a estação registrou uma tromba d'água, seis ocorrências de nuvem funil e três tornados, além de uma temperatura máxima de 39,7°C. A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) contabilizou 91 ocorrências em 67 municípios, com destaque para tempestades, vendavais e alagamentos.
A irregularidade das chuvas, que resultou em seca em regiões como Sudoeste, Centro, Oeste e Noroeste do estado, foi atribuída à atuação do fenômeno La Niña. "Durante a fase La Niña há uma diminuição da umidade vinda da Amazônia em direção ao Sul do Brasil. Por causa disso, apesar do verão ser o período em que mais chove no ano, neste não houve atuação dos sistemas de precipitação de forma frequente, e tivemos a atuação de mais massas de ar seco", explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar. Cidades como Cianorte e Campo Mourão foram afetadas pela seca fraca, que se intensificou a partir de janeiro.
Os impactos da falta de chuva foram sentidos também na agricultura. A plataforma Simeagro, do Simepar, apontou crescimento não satisfatório do milho devido ao estresse hídrico em municípios como São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Foz do Iguaçu e Santa Helena, onde o volume de precipitação foi insuficiente para o desenvolvimento das plantas.
Embora as chuvas tenham sido menos frequentes, quando ocorreram, foram de alta intensidade. Tempestades supercelulares desencadearam dois tornados em janeiro de 2026. No dia 1º de janeiro, um tornado categoria F1 na escala Fujita atingiu a comunidade de Arroio Guaçu, em Mercedes, causando danos pontuais em vegetação e uma propriedade, sem feridos. Já no dia 10 de janeiro, um tornado categoria F2 atingiu São José dos Pinhais, danificando 350 residências, impactando mais de 1,2 mil pessoas e deixando duas levemente feridas. Um terceiro tornado, categoria F0, ocorreu em 7 de fevereiro em Foz do Iguaçu, com apenas uma propriedade atingida.
Além dos tornados, seis casos de nuvem funil foram registrados pelo Simepar entre janeiro e fevereiro, em cidades como Ponta Grossa, Paulo Frontin, São Jorge do Ivaí, Arapongas, Santo Antônio do Caiuá e Ipiranga. Uma tromba d'água também foi observada em 13 de fevereiro em Missal.
No litoral paranaense, região com o maior acúmulo de precipitação, a Cedec montou uma força-tarefa em Pontal do Paraná para monitorar as condições meteorológicas em tempo real entre dezembro e fevereiro. "Pelo segundo ano atuamos de maneira contínua no litoral, com ajuda do sistema desenvolvido pelo Simepar pudemos assegurar a segurança das pessoas, principalmente na faixa de areia. Estes são pontos de grande concentração de pessoas e naturalmente de maior risco, principalmente pelas tempestades de raios muito comuns na estação", afirma o coronel Ivan Fernandes, coordenador executivo da Cedec. O Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd) emitiu 966 alertas, sendo 24 de risco muito alto, principalmente para Paranaguá, Matinhos e Pontal do Paraná.
Quanto às temperaturas, o verão registrou calor intenso, com recordes em algumas localidades. A máxima de 39,7°C foi observada em Capanema no dia 6 de fevereiro, enquanto a mínima do ano até 18 de março foi de 8°C em General Carneiro. Telêmaco Borba atingiu 38°C em 26 de dezembro, a temperatura mais alta desde a instalação da estação meteorológica na cidade em 1997. O período de 22 a 28 de dezembro foi particularmente quente, com temperaturas acima da média no Litoral, Grande Curitiba e Campos Gerais.
De forma geral, a temperatura mínima ficou dentro da média em todas as regiões do Paraná durante o verão, enquanto a máxima ficou acima da média principalmente no Oeste, Sudoeste e Centro. A temperatura média terminou o trimestre dentro da média na maior parte do estado, com exceção dos extremos Sudoeste e Oeste, que registraram valores acima da média histórica.

