O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou, nesta terça-feira (16), que o assassinato de um vaqueiro que prestava serviços ao órgão durante uma operação na Terra Indígena Apyterewa, no Pará, foi uma emboscada. A vítima foi alvejada no pescoço na tarde de segunda-feira (15), em São Félix do Xingu, enquanto auxiliava no deslocamento de cerca de 350 cabeças de gado para fora de uma área invadida ilegalmente.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que solicitou apoio da Polícia Federal na região, e que agentes já estão a caminho da base localizada na terra indígena, próxima ao distrito da Taboca. Segundo a Polícia Federal, equipes já realizam diligências no local, e o caso está sendo investigado pela delegacia da corporação em Redenção (PA).
A operação de desintrusão faz parte do cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 709). Essa ação foi ajuizada em 2020 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), durante a pandemia de Covid-19, devido à situação de vulnerabilidade dos indígenas da região, invadida por pecuaristas e garimpeiros.
A emboscada contra o vaqueiro ocorreu em uma dessas ações coordenadas, que envolvem, além do Ibama e da Funai, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Força Nacional e as polícias Civil e Militar. A Funai afirmou que a situação é preocupante, mas que seus servidores estão em segurança em uma das bases de apoio. Suspeita-se que a emboscada tenha sido realizada por "antigos moradores da TI, que ainda invadem o local para criação ilegal de gado", conforme informou a fundação, sem citar nomes.
Uma equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, estava recentemente na terra indígena preparando material sobre a desintrusão. A repórter Ana Passos detalhou que o vaqueiro foi baleado por volta das 14h, e que mais de 2 mil pessoas envolvidas com criação de gado e cultivo de cacau já haviam sido retiradas do território. "Apesar de os produtores rurais já terem sido retirados da área, há um gado remanescente. O Ibama detectou mais de 40 pontos onde ainda há bovinos", explicou.
Ana Passos ainda relatou que alguns invasores continuam tentando entrar na área para manejar o gado, realizando atentados contra indígenas e agentes do estado. "Um funcionário da Funai chegou a ser baleado no ano passado", disse. Segundo ela, os invasores costumam queimar pontes e colocar estruturas pontiagudas nas estradas para furar pneus de veículos oficiais. "É uma ação complexa porque esse gado está em áreas da mata por onde não é possível chegar de carro. Às vezes, nem de quadriciclo", completou.
Em nota, o Ibama informou que medidas cabíveis para a apuração do crime já foram adotadas "com o objetivo de identificar os responsáveis e promover sua devida responsabilização, nos termos da lei". O instituto lamentou profundamente o ocorrido, manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima e afirmou que está prestando o apoio necessário à família.

