O Vale do Genoma, ecossistema de inovação localizado em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, está reunindo nesta quinta-feira (5) representantes de diversas instituições de ciência, tecnologia e inovação para elaborar o planejamento estratégico do período de 2026 a 2028. O evento, que segue até sexta-feira (6) no Cilla Tech Park, tem como objetivo consolidar uma agenda comum para os próximos três anos, com foco em pesquisa genômica e inteligência artificial aplicadas à saúde e ao agronegócio.

A metodologia do encontro está sendo aplicada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR) e abrange desde a definição de fundamentos estratégicos até o estabelecimento de metas, ações prioritárias e indicadores de desempenho. O trabalho toma como base os resultados alcançados desde 2021, quando o Vale do Genoma foi implementado, buscando direcionar os esforços de forma mais integrada e eficiente.

Para assegurar a articulação de políticas públicas neste polo de inovação, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) representa o Governo do Paraná nas instâncias de governança, como o Conselho Executivo, o Conselho Curador e as câmaras temáticas de Agro e Saúde. Além da Seti, instituições como a Fundação Araucária e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) desempenham papéis-chave, aportando financiamento e executando projetos de alto impacto.

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Segundo Marcos Aurélio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, o planejamento estratégico é fundamental para a consolidação do ecossistema. “Esse planejamento define prioridades claras, direciona recursos de forma eficiente e integra as instituições de ciência em uma agenda comum de pesquisa em genômica”, afirma. “A ideia é assegurar que os investimentos posicionem o Paraná na vanguarda da pesquisa genômica aplicada ao agronegócio e à saúde pública, gerando impacto econômico e social”.

Para 2026, as prioridades incluem ampliar e fortalecer a articulação do ecossistema com startups e empresas da região, impulsionando projetos em genômica. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), por exemplo, pretende fomentar ainda mais a inovação por meio de linhas de financiamento específicas para o setor. A ação integrada visa consolidar o Paraná como referência nacional na área genômica, transformando conhecimento científico em soluções práticas.

O pesquisador Evaldo Vilela, que atua na articulação do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) em Genômica, destaca o potencial do ecossistema para fortalecer a autonomia tecnológica e o desenvolvimento sustentável do estado. “O Paraná é reconhecido como o supermercado do mundo em alimentos e para manter essa posição precisamos dominar a genética das plantas e produzir sementes brasileiras”, pontua. “O Vale do Genoma é fundamental para a soberania do Paraná e do Brasil por meio de pesquisas de alto impacto”.

Os trabalhos desenvolvidos nas câmaras temáticas já apresentam resultados concretos. No eixo do Agro, a Rede de Pesquisa Agrogenômica, financiada pela Fundação Araucária, conta com 76 pesquisadores de 10 instituições paranaenses, incluindo a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM). O foco está no estudo dos genomas da soja e do feijão, com aplicação de técnicas modernas de melhoramento genético.

Outra iniciativa é o Projeto Purunã Genômica, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que busca identificar e selecionar animais com alto potencial genético para aprimorar a produtividade na bovinocultura de corte. A pesquisa já realizou o perfil genético de aproximadamente 940 bovinos da raça Purunã. O Instituto de Pesquisa Genômica (Ipec) também avança em ações de impacto, como o processamento de amostras biológicas da população para um projeto que integra a rede nacional de sequenciamento genético do Ministério da Saúde.

Já a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) integra a Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada e assumirá a coordenação de um projeto voltado ao desenvolvimento de alimentos mais nutritivos, enriquecidos com selênio, um mineral essencial para a saúde humana. A expectativa é unir ciência, nutrição e bem-estar a partir do desenvolvimento de alimentos funcionais.

Na área da saúde, o Centro de Saúde Pública de Precisão (CSPP) é uma das principais iniciativas do Vale do Genoma. Sediada no Tecpar, a estrutura resulta de uma parceria entre o Instituto Carlos Chagas (ICC) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). O trabalho inclui o sequenciamento completo de genoma para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), aprimorando diagnóstico e tratamento.

Em 2025, o Tecpar articulou a formalização de um Napi em Saúde Pública de Precisão, com investimento de R$ 10,9 milhões da Fundação Araucária. A instituição também lidera um programa piloto denominado HubX em Inteligência Artificial, que conta com mais de R$ 17 milhões do Fundo Paraná, dotação constitucional para fomento científico administrada pela Seti.

O Conselho Executivo do Vale do Genoma reúne representantes de diversas instituições, incluindo a Seti, Assespro-PR, BRDE, Cilla Tech Park, Fundação Araucária, ICC-Fiocruz, IBMP, Ipec, Tecpar, Sebrae/PR, Senai de Santa Catarina, Unicentro e UFPR, demonstrando a abrangência e a força do ecossistema paranaense de inovação.