O vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais responsáveis por infecções respiratórias graves em crianças pequenas e idosos, ganha um novo aliado no sistema público de saúde brasileiro. Em dezembro de 2025, começou a ser distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra o VSR indicada para gestantes, com o objetivo de proteger recém-nascidos contra bronquiolite e pneumonia.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer, firmada por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Ministério da Saúde. O acordo prevê a transferência de tecnologia para o Butantan e o fornecimento conjunto do imunizante para a rede pública, ampliando o acesso a essa importante ferramenta de prevenção.

Para entender melhor o impacto dessa novidade, conversamos com a pediatra e gerente médica do Instituto Butantan, Carolina Barbieri, que esclarece as principais dúvidas sobre o vírus e a vacinação.

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O que é o VSR e por que é tão perigoso?

O vírus sincicial respiratório é transmitido por gotículas e ataca as vias respiratórias e os pulmões. Sua particularidade está em causar infecção nos bronquíolos, as partes mais baixas do trato respiratório, levando à bronquiolite. "Nos bebês, os bronquíolos são muito pequenos. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já causa falta de ar e chiado no peito", explica a médica. Dados do Boletim InfoGripe mostram que, até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave que exigiram internação em crianças menores de dois anos.

Por que vacinar gestantes e não os bebês diretamente?

A estratégia de imunizar as gestantes é uma forma de proteção passiva. "Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que passam para o bebê pela placenta e pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida", detalha Carolina Barbieri. Vacinar o bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz, pois seu sistema imunológico ainda está imaturo.

Quando e como se proteger?

A vacina deve ser aplicada a partir da 28ª semana de gestação, com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, para garantir a transferência adequada de anticorpos. Além da vacinação, medidas como lavar as mãos com frequência, usar máscara em ambientes fechados e manter os espaços ventilados continuam sendo fundamentais para prevenir a transmissão.

Impacto no SUS e na saúde pública

A introdução da vacina no SUS é vista como um marco na saúde pública brasileira. "O VSR é hoje uma das principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A chegada da vacina deve reduzir significativamente a circulação do vírus, os casos graves e as hospitalizações", afirma a pediatra. A iniciativa representa um avanço na proteção de populações vulneráveis e no fortalecimento do sistema público de saúde.