A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) assumiu um papel crucial no atendimento veterinário à fauna silvestre impactada pelo tornado que devastou parte do Paraná na última sexta-feira (7). A instituição recebeu os primeiros animais resgatados, incluindo um gavião-carijó com lesão grave e três filhotes de tucano-de-bico-verde, encontrados em Rio Bonito do Iguaçu, município mais afetado pela tempestade na região Centro-Sul do estado.

Os animais estão sendo tratados no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), localizado no câmpus do Centro Educacional de Desenvolvimento Tecnológico (Cedeteg), em Guarapuava. O trabalho conta com a participação ativa de estudantes de graduação em Medicina Veterinária e residentes de especialização do Curso de Pós-Graduação em Saúde Animal e Ambiental, que acompanham diretamente a medicação, alimentação e processo de reabilitação dos bichos.

O gavião-carijó, uma das primeiras vítimas atendidas, apresenta uma lesão grave na pata esquerda que exige tratamento intensivo com antibióticos e fisioterapia. O animal está sob monitoramento contínuo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do centro. Já os três filhotes de tucano-de-bico-verde, que tiveram o ninho completamente destruído pela força dos ventos, recebem cuidados clínicos especializados para garantir seu desenvolvimento e posterior reintrodução à natureza.

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Segundo o professor Rodrigo Martins de Souza, coordenador das atividades do Cetras, a intensidade do tornado tornou a fuga impossível para muitos animais silvestres. "A intensidade dos ventos de um tornado são incompatíveis com a vida das aves em voo, e mesmo as espécies que buscaram abrigo sofreram impactos diretos com ninhos destruídos e tocas perdidas, sendo essencial esse trabalho de reabilitação para fortalecer as populações de animais severamente atingidas", explica o docente.

Enquanto isso, em Guarapuava, outro município da região Centro-Sul afetado pela ventania, professores e estudantes da Unicentro prestam atendimento emergencial no Assentamento Nova Geração, localizado no distrito de Entre Rios. A equipe trata de ferimentos leves, aplica vacinação antirrábica e distribui ração para animais de produção como bovinos, equinos, ovinos e suínos que sobreviveram ao tornado. A Clínica Escola de Medicina Veterinária da universidade funciona como ponto de arrecadação de ração para suprir essa demanda.

O Cetras se consolidou como referência regional no atendimento a animais resgatados em áreas afetadas pelo tornado, assegurando todos os cuidados necessários para a recuperação e futura reintegração dos bichos ao habitat natural. A unidade opera em regime de plantão 24 horas e recebe espécimes encaminhados pela população e por instituições como o Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Batalhão de Polícia Ambiental e Instituto Água e Terra (IAT).

Essa atuação acadêmica integra a Rede Estadual de Manejo de Animais em Desastres (Remad), que tem no Cetras uma unidade de referência para o acolhimento de fauna silvestre vitimada por desastres ambientais na região. Desde o final de semana passado, em decorrência do tornado, a Remad já atendeu 2.300 animais, entre espécies domésticas e silvestres.

Além do trabalho com os animais, a comunidade acadêmica da Unicentro está mobilizada em outras frentes de apoio às vítimas humanas do tornado. A instituição atua como ponto de arrecadação de donativos nos câmpus de Guarapuava e Irati, priorizando a coleta de itens essenciais como materiais de limpeza, colchões e cobertores. Equipes voluntárias se encarregam do transporte e distribuição das doações para as famílias de Rio Bonito do Iguaçu, demonstrando o compromisso social da universidade em momentos de crise.