Professores e estudantes do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Guarapuava, dedicaram o sábado (15) a uma ação humanitária em Rio Bonito do Iguaçu, município devastado por um tornado na semana anterior. A iniciativa integrou os esforços do Governo do Estado do Paraná para proteger a população local, especialmente aqueles envolvidos diretamente na limpeza e reconstrução da cidade, que enfrentam riscos elevados de infecções como tétano e raiva.

A mobilização contou com seis professoras e dez alunos do projeto de extensão "Aqui Tem Vacina", da Unicentro, que aplicaram vacinas antitetânica, contra hepatite B e antirrábica em moradores, voluntários e trabalhadores. Segundo a professora e enfermeira Alexandra Madureira, a ação foi articulada com a Vigilância Epidemiológica estadual após a identificação da necessidade urgente de reforçar a imunização. "Estamos aqui para vacinar principalmente os adultos que estão trabalhando na reconstrução", explicou Alexandra, destacando que a equipe buscou garantir tanto a proteção preventiva quanto a resposta a acidentes já ocorridos, como mordidas de animais.

O contexto pós-desastre amplia os perigos: o tétano, causado por uma bactéria comum no solo e em objetos perfurantes, pode infectar ferimentos durante a remoção de entulhos, exigindo que a vacina esteja em dia – com reforços a cada dez anos ou cinco em caso de ferimento. Já a raiva, transmitida pela saliva de animais, demanda tratamento imediato após mordidas ou arranhões. Alexandra relatou que muitos moradores não lembravam quando haviam tomado a última dose, reforçando a importância da campanha. Ela ressaltou que, mesmo após a ação, as vacinas permanecem disponíveis nas unidades básicas de saúde municipais em funcionamento.

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Além de Rio Bonito do Iguaçu, onde cerca de 70% dos imóveis já receberam alguma cobertura pós-tornado, o grupo da Unicentro planejava uma parada em Laranjeiras do Sul para vacinar crianças e adultos abrigados no município vizinho. A atividade não só beneficiou a comunidade, mas também representou uma experiência formativa crucial para os estudantes. "Para o aluno, essa é uma experiência muito importante", afirmou Alexandra, enfatizando que a vivência em campo desenvolve tanto habilidades técnicas quanto valores humanitários, preparando os futuros profissionais para atuar em situações de crise.

Milena de Oliveira Santos, estudante do último período de Enfermagem, que se forma em dois meses, compartilhou seu entusiasmo com a participação. Ela explicou que a equipe aceitou prontamente o convite para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde local, sobrecarregado pela tragédia. "Sabemos que, após uma tragédia como essa, o serviço de saúde fica sobrecarregado. Trazer a vacinação até aqui é essencial", disse Milena, acrescentando que a experiência antecipou vivências normalmente restritas à pós-graduação e a marcou profundamente. "É uma situação que eu nunca tinha vivido. Passar por isso ainda dentro da graduação vai me fazer ser uma profissional melhor", refletiu, emocionada com a mobilização coletiva de ajuda que testemunhou.

Em termos de cobertura vacinal, Rio Bonito do Iguaçu mantém índices positivos: mais de 90% das crianças menores de um ano estão vacinadas contra tétano, com 95% de dose de reforço para acima de um ano, e a vacina DTPA (contra difteria, tétano e coqueluche) foi aplicada em 98% das gestantes, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Para garantir o abastecimento, a Sesa reforçou os estoques com vacinas e seringas adicionais, armazenadas em unidade com gerador de energia que assegurou a refrigeração contínua, evitando interrupções.

A ação da Unicentro exemplifica como a integração entre universidade, governo e comunidade pode transformar crises em oportunidades de solidariedade e aprendizado, fortalecendo a resiliência local diante de adversidades.