Nesta quarta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizaram uma conversa telefônica que marca um novo capítulo nas relações entre os dois países. Os breves relatos divulgados nas redes sociais de ambos os líderes descreveram o diálogo como positivo, ocorrendo menos de duas semanas após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interinamente no início deste mês, após o Exército dos Estados Unidos capturar Maduro e sua esposa, a primeira-dama Cília Flores, em uma operação ordenada pelo governo Trump. O casal está atualmente preso em Nova York. A ligação telefônica representa uma guinada significativa, já que, em pronunciamento à nação logo após a captura, Rodríguez havia criticado veementemente a ação, declarando que a Venezuela "não voltaria a ser colônia".
Em suas declarações, a presidente interina venezuelana caracterizou a conversa como "longa, produtiva e cordial", desenvolvendo-se a partir de um "marco de respeito mútuo". "Abordamos uma agenda de trabalho bilateral em benefício de nossos povos, bem como de assuntos pendentes na relação entre nossos governos", afirmou Rodríguez, sinalizando uma retomada das conversas diplomáticas que o governo venezuelano havia anunciado na semana passada.
Do lado norte-americano, Donald Trump utilizou suas redes sociais para compartilhar sua visão sobre o diálogo. O presidente afirmou que os dois discutiram temas centrais como petróleo, minerais, comércio e segurança, destacando que os Estados Unidos estão ajudando o país latino-americano a "se recuperar". "Essa parceria entre os Estados Unidos e a Venezuela será espetacular para todos. A Venezuela, em breve, será grande e próspera novamente, talvez mais do que nunca", projetou Trump em sua publicação.
O contexto desta conversa é profundamente marcado pela invasão e captura de Maduro no dia 3, um evento que abalou a política venezuelana e internacional. A mudança de tom por parte do governo interino venezuelano, de crítica inicial à abertura para o diálogo, sugere uma tentativa de estabilização e negociação em um cenário de extrema pressão e transformação.
Enquanto isso, notícias relacionadas continuam a ecoar os desdobramentos da crise. Um venezuelano foi baleado pelo ICE em Minneapolis, o ex-presidente brasileiro Lula conversou com o presidente russo Vladimir Putin sobre a Venezuela pós-ataques dos EUA, e o governo venezuelano afirma ter libertado 400 presos, alegação contestada pela oposição e por ONGs. O telefonema entre Trump e Rodríguez surge, portanto, como um ponto focal neste cenário complexo, indicando possíveis reconfigurações nas alianças e na política externa da região.

