Assistir ao nascer do sol é uma experiência que toca a alma, e no Paraná essa vivência ganha contornos especiais. A poucas horas de Curitiba, três destinos no litoral do estado oferecem cenários distintos para celebrar o raiar do dia, cada um com sua própria magia e público-alvo. A Ilha do Mel, em Paranaguá, o Parque Nacional do Superagui, em Guaraqueçaba, e o Pico Paraná, em Antonina, são considerados alguns dos primeiros lugares onde o sol nasce no estado, com diferenças de meros segundos entre eles.
O que esses locais têm em comum, além da privilegiada posição geográfica, é estarem inseridos na Grande Reserva da Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo desse bioma no planeta, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial. "São três atrativos e cenários diferentes, com um ponto em comum: os visitantes podem acompanhar um nascer do sol único no país", destaca Leonaldo Paranhos, secretário estadual do Turismo.
Para Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná, órgão de promoção vinculado à Secretaria do Turismo (Setu-PR), essa diversidade é um trunfo. "Viajantes gostam de variedade, diversidade e de experiências exclusivas. Por isso o Paraná é uma referência, pois além do atendimento qualificado, bons restaurantes e meios de hospedagens, o estado também conta com uma gama de diferentes atrativos que conversam com cada perfil de viajante", afirma.
Superagui: o primeiro raio de sol do Paraná
Do ponto de vista técnico, o Parque Nacional do Superagui é o primeiro lugar a ver o sol nascer no estado. "O sol nasce no leste e se põe no oeste em função do movimento de rotação da Terra. Desta maneira, as cidades litorâneas são as primeiras a ver o fenômeno no Paraná. A região mais a leste, no caso, Superagui, tem o privilégio de ser o primeiro local a ver o nascer do sol. A diferença do horário para as outras cidades do litoral é de poucos segundos ou minutos, apenas, de acordo com a longitude", explica Samuel Braun, meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR).
Considerada uma Unidade de Conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque protege paisagens de restinga, manguezal e floresta, além de dezenas de espécies de fauna e flora. Acompanhar o amanhecer ali é uma experiência indicada para quem busca um contato íntimo e profundo com a natureza em seu estado mais puro.
Ilha do Mel: o charme do amanhecer em uma gruta
No Parque Estadual Ilha do Mel, uma Unidade de Conservação gerida pelo Instituto Água e Terra (IAT), o nascer do sol tem um charme especial. O ponto mais emblemático para a observação é dentro da Gruta das Encantadas, onde os primeiros raios solares atingem o mar criando um efeito de espelho, com a estrutura rochosa da gruta servindo como moldura natural para o espetáculo.
Outro local privilegiado é o Farol das Conchas, que oferece uma vista elevada do amanhecer. É um roteiro perfeito para um passeio romântico ou em família. Com 93% de seu território composto por áreas de proteção ambiental, a ilha oferece uma imersão total na natureza. "Quando os turistas assistem o nascer do sol no nosso litoral, eles também estão inseridos no maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do mundo, com quase 3 milhões de hectares protegidos por 60 municípios brasileiros. É uma região de beleza única e de riqueza internacional em termos de diversidade, cultura, história e natureza", ressalta Ricardo Borges, coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da Grande Reserva Mata Atlântica.
Pico Paraná: a conquista do amanhecer no ponto mais alto do Sul
Para os aventureiros de plantão, assistir ao nascer do sol no cume do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil, é uma verdadeira conquista. Localizado dentro do Parque Estadual Pico Paraná, também gerido pelo IAT, o acesso exige bom preparo físico e mental. A subida até o cume leva entre 5 e 8 horas, com trechos de trilha e escalada, e o ideal é fazê-la com um guia certificado.
A recomendação é subir durante o dia, pernoitar em locais próprios para a atividade no parque e acordar para o espetáculo do amanhecer. A temporada ideal é durante o outono e inverno, evitando o verão por conta da instabilidade climática, chuvas, animais peçonhentos e maior incidência de raios.
"O cadastro deve ser feito tanto na entrada quanto na saída para garantir a segurança dos visitantes, já que é com ele que conseguimos saber quando as pessoas entraram no parque. Além disso, a partir da baixa do cadastro na saída, e do tempo médio de conclusão das trilhas que conhecemos, podemos saber se a pessoa já saiu da UC ou se é necessário acionar algum órgão de resgate", explica Jean Alex dos Santos, gerente de Áreas Protegidas da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT. O cadastro de acesso ao parque é gratuito e feito na base do IAT em Campina Grande do Sul.
Para quem não tem o preparo necessário para encarar o Pico Paraná, uma alternativa são as montanhas menores do parque, que exigem menos esforço e também proporcionam vistas deslumbrantes do amanhecer, agora com o imponente Pico Paraná ao fundo. Seja qual for a escolha, o Paraná prova que não é preciso ir longe para viver momentos únicos de conexão com a natureza e contemplação.

