O trabalho de pessoas privadas de liberdade, com todas as atividades rigorosamente monitoradas pela Polícia Penal do Paraná (PPPR), tem sido fundamental para acelerar as primeiras entregas na recuperação das unidades de ensino afetadas pelo tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu. As equipes formadas por custodiados já concluíram ações essenciais em duas estruturas fundamentais para o atendimento das crianças do município, demonstrando como essa mão de obra organizada pode fazer a diferença em situações de emergência.
Na creche Pedacinho do Céu, os presos realizaram uma limpeza completa interna e externa, com retirada total dos escombros deixados pelo desastre natural. Já no CMEI Dona Laura, os custodiados não apenas finalizaram a limpeza interna e externa, mas também concluíram o trabalho de cobertura do prédio, garantindo proteção imediata contra as chuvas e permitindo o avanço do levantamento técnico das estruturas por engenheiros especializados.
Além das entregas já realizadas, as equipes continuam trabalhando intensamente no Colégio Estadual Ludovica Safraider, considerada a estrutura mais danificada pelo tornado. No local, os presos executam a remoção dos resíduos remanescentes para liberar a área para reconstrução, em um trabalho que exige cuidado e precisão devido aos riscos estruturais.
O Governo do Paraná decidiu quadruplicar o número de presos atuando na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu após o tornado que atingiu o município do Centro-Sul do Paraná. Atualmente, 46 custodiados trabalham na recuperação de colégios estaduais, creches, APAE e no destacamento da Polícia Militar do Paraná (PMPR), com previsão de chegar a quase 60 nos próximos dias, conforme a necessidade dos serviços aumenta.
Desse total, 24 presos integram o Programa Mãos Amigas, iniciativa voltada à reinserção social por meio de serviços de manutenção e reparos em unidades escolares. Esses custodiados são selecionados pelo bom comportamento e acompanhados de perto por policiais penais durante todas as atividades. A outra parte não integra o programa específico - são presos oriundos de canteiros de trabalho da PPPR e de empresas terceirizadas conveniadas ao sistema penitenciário.
Esse segundo grupo está na etapa final do cumprimento da pena e, além de contribuir com a reconstrução do município, tem direito à remição de parte do tempo a cumprir, além de receber auxílio financeiro pelo trabalho desempenhado. O sistema permite que a cada três dias trabalhados, um dia seja abatido da pena, criando um incentivo importante para a participação voluntária nesses trabalhos.
O Paraná é pioneiro no uso de trabalho prisional na manutenção dos colégios estaduais. Somente em 2025, 427 unidades escolares já foram atendidas pelo programa, com mais de 2 mil serviços realizados em todo o estado, demonstrando a eficácia desse modelo que beneficia tanto a sociedade quanto os próprios custodiados.
Neste sábado (15), 12 custodiados iniciaram a retirada de entulhos e a limpeza da prefeitura municipal. Já a partir deste domingo, terão início também os trabalhos de reparo do teto, do forro e das demais áreas afetadas do prédio público, ampliando significativamente o alcance das ações de recuperação realizadas pelas equipes monitoradas pela PPPR.
Para agilizar as ações emergenciais, o Governo do Estado destinou R$ 50 mil ao Colégio Estadual Ireno Alves dos Santos e R$ 25 mil ao Colégio Estadual Ludovica Safraider, via Fundo Rotativo. Engenheiros do Fundepar e técnicos do Núcleo Regional de Educação seguem com o levantamento dos danos, etapa que depende da finalização das limpezas para avaliação completa e contratação emergencial das obras de reconstrução.
Enquanto isso, as famílias atingidas pelo tornado continuam recebendo orientação do estado sobre os benefícios disponíveis, incluindo o auxílio de R$ 1 mil que está sendo disponibilizado através de um site específico criado pelo governo para facilitar o acesso à assistência emergencial.

