A Tiger Global, empresa de investimentos que alimentou a bolha de capital de risco entre 2020 e 2021, está em busca de US$ 2,2 bilhões para seu novo fundo Private Investment Partners 17 (PIP 17). Segundo carta obtida pela CNBC e dirigida a investidores institucionais, a firma promete uma abordagem mais humilde e seletiva do que a estratégia agressiva de "spray and pray" (disparar e rezar) que marcou o auge do mercado.
Durante o frenesi de 2021, a Tiger Global levantou um fundo colossal de US$ 12,7 bilhões (PIP 15) e investiu em 315 startups apenas naquele ano, segundo dados do PitchBook. Esse movimento acelerado criou guerras de lances entre fundos de venture capital e inflacionou avaliações de empresas ainda imaturas. Quando os juros subiram em 2022, a festa acabou, levando muitas dessas startups a fechar as portas enquanto lutavam para justificar valuations irreais.
Após o crash do mercado de venture capital em 2022-2023, a Tiger Global passou por reestruturações internas, com a saída de investidores-chave como John Curtius e a transição de Scott Shleifer para um papel consultivo. Em 2024, a firma já havia levantado US$ 2,2 bilhões para o PIP 16 – valor consideravelmente menor que o fundo anterior, mas ainda significativo.
O sucesso recente com apostas em IA está impulsionando a nova captação. O PIP 16 detém participações em OpenAI, Waymo e Databricks, empresas cujas avaliações dispararam e geraram ganhos de 33% no papel, conforme detalhado na carta. Esse desempenho serve como trampolim para o PIP 17, que buscará oportunidades semelhantes no setor.
Contudo, em um reconhecimento explícito dos excessos do passado, a Tiger Global adota um tom de cautela. A carta alerta que as avaliações no setor de IA estão "elevadas e, em nossa visão, às vezes sem suporte nos fundamentos das empresas", exigindo "humildade" nos novos investimentos. A firma parece consciente do risco de uma nova bolha e promete uma abordagem mais direcionada, evitando repetir os erros que distorceram o mercado anteriormente.
Em conclusão, o movimento da Tiger Global reflete um mercado de venture capital em transição: ainda ávido por oportunidades em IA, mas mais cauteloso após os traumas da bolha de 2021. A captação de US$ 2,2 bilhões mostra confiança no potencial do setor, mas as ressalvas na carta indicam que os investidores aprendem com os ciclos anteriores. O sucesso do novo fundo dependerá do equilíbrio entre aproveitar a onda de inovação em inteligência artificial e evitar a supervalorização que pode levar a um novo colapso – um desafio que definirá não apenas o futuro da Tiger Global, mas a saúde do ecossistema de startups nos próximos anos.

