Praticar atividades físicas regularmente é fundamental para a saúde, mas um novo alerta vem de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP): apenas se exercitar não elimina completamente o sedentarismo. O fenômeno, conhecido como active couch potato, descreve pessoas que cumprem a recomendação mínima de exercícios, mas passam a maior parte do dia inativas.
O professor Paulo Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, explica: “O active couch potato é aquela pessoa que vai à academia, treina por uma hora ou mais, de três a cinco vezes na semana, mas passa o restante do dia inativa. Não é necessariamente alguém 'preguiçoso' – pode ser quem trabalha em home office ou em escritório e fica sentado a maior parte do tempo, acreditando que o exercício compensa o resto do dia parado. Essa pessoa pode até ter bom condicionamento, mas o tempo excessivo de inatividade não é anulado pelo treino.”
Esse comportamento é comum no mundo moderno, reflexo do estilo de vida urbano. No passado, trabalhos como os do campo exigiam maior movimentação, mas a modernização reduziu essas oportunidades. Hoje, motoristas de aplicativo, por exemplo, ficam horas no carro, e após o treino, muitas pessoas continuam no celular ou usando controles remotos, eliminando pequenas atividades diárias que geram gasto energético – o chamado Neat (Non-Exercise Activity Thermogenesis).
O professor destaca que a cultura fitness é positiva, mas não pode gerar a falsa sensação de “tá pago”. “O exercício é fundamental, mas não pode ser visto como um 'passe livre'. A pessoa treina e acha que pode passar o resto do dia parada, e isso não é verdade. O comportamento ao longo das 24 horas, fora da academia, é o que dita a base do nosso funcionamento metabólico e postural.”
O tempo prolongado sentado provoca impactos metabólicos e cardiovasculares, como resistência à insulina, alterações no colesterol, acúmulo de gordura visceral e maior risco de doenças cardiovasculares. Além disso, há piora da circulação, inchaço, alterações de humor e encurtamentos musculares, que podem levar a um envelhecimento precoce. Santiago recomenda quebrar o tempo sentado a cada 30 a 60 minutos, levantando ou caminhando por alguns minutos. Pequenas mudanças, como usar mesas ajustáveis, levantar para buscar água ou fazer reuniões caminhando, podem ajudar a evitar longos períodos de inatividade.

