O secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires, viveu momentos de terror na noite desta segunda-feira (16). Por volta das 21h, enquanto trafegava pela rodovia RJ-106, no sentido Maricá, ele foi alvo de uma perseguição por homens fortemente armados. O prefeito Eduardo Paes não hesitou em classificar o episódio como um atentado, diretamente relacionado ao trabalho "excepcional" que Pires vem realizando contra a máfia dos postos de combustíveis.

De acordo com o relato oficial divulgado pela secretaria, criminosos em um carro emparelharam com o veículo do secretário. "Criminosos abriram as portas e apontaram dois fuzis em sua direção, iniciando uma perseguição que se estendeu por cerca de 2 quilômetros. Ele estava em um carro blindado e conseguiu acelerar para tentar escapar", detalha a nota. A cena, digna de filme de ação, se desenrolou em uma das principais vias da região metropolitana do Rio.

Na tentativa desesperada de se livrar dos perseguidores, Pires avistou uma viatura policial do outro lado da rodovia. A solução encontrada foi entrar rapidamente em um posto de combustíveis para despistar os criminosos. A manobra, porém, saiu do controle. O secretário perdeu o domínio do carro blindado, colidindo com outros dois veículos e uma bomba de combustível. O saldo do susto e do acidente, felizmente, não incluiu ferimentos. "Apesar da extrema violência da ação e da gravidade do ocorrido, o secretário não ficou ferido", informou o comunicado.

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O prefeito Eduardo Paes foi enfático ao fazer a ligação entre o ataque e a atuação de Pires. Em suas redes sociais, ele destacou que o secretário tem combatido máfias, "espacialmente contra a máfia dos postos de gasolina". E mandou um recado claro: "A má notícia para os marginais desse estado é que esse trabalho não vai parar e João estará mais protegido do que nunca". A declaração reforça a tese de que o ato foi uma retaliação, e não um simples assalto, como inicialmente tratado em partes do relato policial.

A Polícia Civil registrou o caso na 75ª DP (Rio do Ouro), onde um procedimento investigativo foi instaurado. A versão inicial da corporação, no entanto, fala em "tentativa de roubo de veículo". "De acordo com o depoimento da vítima, quatro indivíduos armados tentaram roubar seu veículo. Diligências estão em andamento para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e identificar os criminosos", informou. Já a Polícia Militar, através do Comando de Policiamento em Rodovias (CPRv), confirmou que seus agentes foram acionados para uma tentativa de roubo na RJ-106. Os policiais localizaram a vítima e a conduziram a um local seguro, onde ela afirmou que registraria a ocorrência posteriormente.

O episódio joga luz sobre os riscos enfrentados por autoridades que atuam na linha de frente do combate ao crime organizado, mesmo em áreas consideradas de atuação civil, como a defesa do consumidor. A máfia dos postos de combustível é um problema crônico no estado do Rio, envolvendo adulteração de produtos, sonegação fiscal e, frequentemente, violência. O ataque a um secretário municipal em plena via pública, com armas de guerra, evidencia o nível de ousadia e perigo que esse tipo de organização criminosa pode representar. A população agora aguarda os desdobramentos das investigações e as medidas de proteção prometidas pelo prefeito.