O estado de São Paulo apresentou uma redução nos casos de feminicídio nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública. Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram registradas 11 ocorrências desse crime, contra 13 no mesmo período de 2025 — uma diminuição de dois casos. No mês de fevereiro especificamente, os números se mantiveram estáveis, com seis boletins de ocorrência em ambos os anos.

Para a delegada Cristine Nascimento, titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do estado, essa redução, embora aparentemente pequena, é significativa. "A redução pode parecer pequena, mas é significativa. Ela indica que estamos no caminho certo no enfrentamento ao feminicídio. Esse resultado é fruto de um trabalho contínuo e integrado, que envolve não só a Segurança Pública, mas também outras áreas, como saúde, educação e assistência, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o acesso das mulheres aos serviços. A diminuição não acontece de forma imediata, mas é consequência de políticas públicas consistentes que começam a apresentar resultados", afirmou a delegada.

Em contraste com a queda na capital paulista, o estado como um todo registrou um aumento nos casos de feminicídio no mesmo período. Foram 55 ocorrências nos dois primeiros meses de 2026, contra 42 no ano anterior, o que destaca a importância das políticas específicas implementadas na capital.

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Nos últimos anos, o Governo do Estado tem ampliado significativamente as políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Uma das principais iniciativas é o reforço das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), que hoje somam 143 unidades em todo o estado, sendo 18 com funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia. Além disso, foram implementadas 173 Salas DDM em unidades policiais, permitindo atendimento remoto por videoconferência e ampliando o acesso das vítimas ao serviço especializado.

Outra frente importante é a criação das Cabines Lilás, instaladas nos Centros de Operações da Polícia Militar (Copom) em todo o estado. Essas cabines contam com policiais femininas treinadas para atender ocorrências de violência doméstica. Até fevereiro deste ano, o serviço já havia realizado cerca de 25 mil atendimentos e efetuado 123 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.

Segundo a cabo Raianne Cavalcante, que atua na Cabine Lilás, "A atuação da Cabine Lilás evidencia que acolhimento humanizado, escuta qualificada e resposta rápida fazem diferença concreta no enfrentamento à violência. A queda nos casos de estupro reflete um trabalho estruturado, que fortalece a proteção às vítimas, amplia o acesso à denúncia e contribui diretamente para salvar vidas".

O uso da tecnologia também tem sido um aliado fundamental nesse combate. O aplicativo SP Mulher Segura permite o monitoramento em tempo real de vítimas e agressores por meio de georreferenciamento, além de possibilitar o registro de boletins de ocorrência e o acionamento emergencial da polícia. Essas ferramentas digitais têm se mostrado eficazes na prevenção de novos casos e na rápida resposta às situações de risco.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a luta contra o feminicídio ainda é longa e requer esforços contínuos. A integração entre diferentes áreas do governo, como segurança, saúde e assistência social, tem se mostrado crucial para garantir uma proteção mais efetiva às mulheres em situação de violência. A queda registrada em São Paulo, embora modesta, é um indicativo de que as políticas públicas estão começando a surtir efeito, mas ainda há muito a ser feito para erradicar esse crime tão grave.