O estado de São Paulo alcançou um marco histórico na segurança pública: o primeiro bimestre de 2026 registrou o menor número de homicídios dolosos e latrocínios em 26 anos. O patamar não era visto desde 2001, reforçando uma tendência de queda nos crimes violentos em todo o território paulista.
Nos meses de janeiro e fevereiro, as delegacias elaboraram 369 boletins de ocorrência relacionados a homicídios dolosos. O número representa uma redução de 47 casos (11,3%) em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 416 crimes desse tipo.
“A queda dos homicídios em São Paulo é resultado de um processo contínuo e estruturado, baseado em inteligência, integração policial e políticas públicas consistentes. O desafio atual não é apenas manter a redução, mas aprimorar constantemente a qualidade da investigação, da polícia ostensiva, identificando e enfrentando desigualdades territoriais e, de forma essencial, acompanhar as novas dinâmicas criminais, para que essa tendência seja sustentável no longo prazo”, disse a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo.
Os latrocínios – roubos seguidos de morte – também apresentaram queda expressiva. Nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados 12 casos, contra 28 no mesmo intervalo de 2025, uma redução de 16 ocorrências.
“A redução nos latrocínios é resultado do trabalho integrado das forças de segurança, com empenho dos policiais, estratégias de policiamento baseadas no mapeamento de áreas e atuação ágil e coordenada entre programas de policiamento, além das equipes territoriais e especializadas”, afirmou o coronel Carlos Lucena, coordenador operacional da Polícia Militar.
Uma das iniciativas que contribuíram para esses resultados foi a criação do SPVida, programa da Secretaria da Segurança Pública que integra as forças de segurança para analisar o contexto, a motivação e a localidade dos crimes contra a vida. A ferramenta considera diferentes fatores envolvidos e seus dados são abertos ao público, auxiliando no planejamento de políticas públicas e ações de prevenção.
Além disso, batalhões da Polícia Militar e delegacias contam com ferramentas e aplicativos que permitem o acompanhamento das análises criminais em tempo real, contribuindo para o aprimoramento das ações de prevenção.
“É um desafio que vem sendo vencido com inteligência, com uma gestão eficiente do efetivo, de viaturas, helicópteros, drones e tecnologia, para que de maneira integrada todo esse trabalho resulte nessa redução. As quedas são importantes, mas enquanto houver vítimas, continuaremos na batalha. A meta é que nenhuma vida seja tirada por conta de um latrocínio. Não vamos descansar enquanto os indicadores não estiverem zerados”, completou Lucena.
Os números reforçam um movimento de queda sustentada nos crimes violentos no estado, que vem sendo observado nos últimos anos. A integração entre polícias, o uso de tecnologia e o foco em políticas baseadas em dados têm sido apontados como fatores-chave para esse resultado, que coloca São Paulo em um patamar histórico de segurança.

