O Governo de São Paulo deu um passo histórico nesta quarta-feira (28) ao assinar o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) do Túnel Santos-Guarujá com o grupo português Mota-Engil. O acordo concretiza uma demanda centenária da Baixada Santista e injeta quase R$ 7 bilhões em um dos maiores projetos de infraestrutura do país, que será o primeiro túnel imerso do Brasil.
O secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, destacou a dimensão do feito: "Assinamos o contrato com a concessionária Túnel Santos-Guarujá. O que era impossível e esperado há 100 anos, a gente vai tornar possível". Ele detalhou o cronograma: "Agora a gente começa a discutir o projeto funcional e o projeto executivo. No ano que vem, a gente começa a mobilização e o início das obras. Em 2028, a gente começa a fabricar os elementos, que são as 6 partes que vão fazer parte do túnel. Em 2029, a gente começa a submergir esses elementos formando o túnel, para que em 2030, a gente tenha o comissionamento do túnel e ele entregue para a população".
Com investimento total estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto prevê a construção de um túnel de 870 metros sob o canal portuário, com três faixas por sentido, passagem para pedestres e ciclistas e galeria de serviços. O contrato tem prazo de 30 anos, incluindo as etapas de operação e manutenção da infraestrutura.
A obra promete transformar a mobilidade na região. O tempo de travessia entre Santos e Guarujá cairá drasticamente: de cerca de uma hora pela ligação rodoviária de 40 quilômetros, ou pela travessia de balsa (sujeita a condições climáticas e passagem de navios), para apenas cinco minutos. Além disso, a construção deve gerar aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos, consolidando-se como novo pilar de desenvolvimento urbano e logístico da Baixada Santista.
O caminho até a assinatura do contrato foi marcado por etapas importantes. A Mota-Engil venceu o leilão realizado na B3, em setembro de 2025, com desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública máxima anual de R$ 438,3 milhões. Todo o processo pode ser acompanhado pelo site oficial (www.tunelsantosguaruja.sp.gov.br), que reúne informações detalhadas sobre o projeto, reforçando o compromisso com a transparência.
A licença ambiental prévia já foi emitida pela Cetesb, atestando a viabilidade e autorizando o avanço das próximas etapas. A análise considerou impactos sobre manguezais, fauna, flora, ruído e desapropriações, estabelecendo condicionantes para o licenciamento.
Além da estrutura principal, estão previstas intervenções viárias em Santos e Guarujá para melhorar a fluidez do trânsito local e preparar as cidades para o novo fluxo de veículos. O início dessas obras complementares deve ocorrer já em 2027, com fiscalização da Artesp, a agência reguladora responsável por acompanhar o cumprimento do cronograma.
Os próximos passos estão bem definidos: em 2026, serão desenvolvidos os projetos funcional e executivo; 2027 marca o início das obras com a construção da doca seca; em 2028 começa a fabricação dos elementos do túnel; 2029 será o ano da imersão e montagem; e em 2030 está prevista a finalização, com testes operacionais e entrega à população. Um projeto que, após um século de espera, começa a sair do papel para mudar a realidade da Baixada Santista.

