A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está investindo R$ 13 milhões na ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alambari, em Cambará, no Norte do estado. A obra inclui um sistema inovador de pós-tratamento que utiliza a tecnologia wetland ("zona úmida", em português), um processo natural que imita áreas pantanosas para a gestão do lodo.
O gerente geral da Sanepar na região, Rafael Leite, explica que o sistema aproveita as raízes das plantas para filtrar a água final do tratamento e reter o lodo. "Uma tecnologia mais sustentável e natural para o tratamento", afirma. "A gente consegue concentrar o lodo e fazer a degradação natural dele através de plantas, reduzindo produtos químicos e equipamentos para secagem do lodo". Em contraste, o processo tradicional usa polímero e centrífugas ou leitos de secagem, que demandam mais esforço no manejo.
O prefeito de Cambará, Walcir Joaquim, destacou a importância da tecnologia durante visita à obra. "Wetland é um diferencial por combinar o sistema de lodos ativados com o tratamento por plantas. Trata-se de uma das primeiras estruturas desse tipo no Norte do Paraná, reforçando o caráter inovador do modelo utilizado no nosso município", disse. "Queremos evidenciar e agradecer a importância dos investimentos em saneamento para a melhoria da qualidade de vida da população, o fortalecimento da saúde pública e a preservação do meio ambiente".
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, ressalta que a empresa tem focado em soluções sustentáveis e no diálogo com os municípios. "Mantemos sempre um diálogo aberto e franco com o poder concedente para que vejam como estamos tratando dos sistemas de água e esgoto nos municípios. Mesmo onde já alcançamos a universalização do saneamento, como é o caso de Cambará, aprimoramos os processos de tratamento para promover mais saúde e qualidade ambiental". Ele acrescenta que o sistema tem um apelo sustentável por reter carbono, em vez de emiti-lo.
A obra da ETE Alambari está em fase final e inclui tecnologias como reatores anaeróbios de fluxo ascendente (UASB) e sistema de Lodos Ativados em Batelada (SBR), que removem matéria orgânica e nutrientes com alta eficiência. Os wetlands ocupam uma área de 1.600 metros quadrados, com cerca de 1.120 toneladas de camadas de areia grossa e brita, além de centenas de plantas de banhado.
O modelo de wetlands está sendo implantado gradualmente pela Sanepar em várias estações do Paraná. Existem duas aplicações: no meio do processo de tratamento e no final, para tratar o lodo. Neste último, o lodo é depositado sobre camadas filtrantes com raízes de plantas, que ajudam a eliminar poluentes e evitar maus odores. O solo é preparado com geomembrana para impermeabilização.
A Sanepar iniciou a implantação de wetlands no Oeste do Paraná, com um projeto-piloto em 2020 em Santa Helena. Atualmente, o sistema está em funcionamento em Assis Chateaubriand e Vera Cruz do Oeste. No Norte do estado, além de Cambará, a tecnologia já é usada em Cornélio Procópio (ETE Tangará II) e Joaquim Távora, e em breve chegará a Serranópolis, Saudade do Iguaçu, Turvo, Pinhão, Palotina e Curitiba (ETE CIC/Sisto).
Nos canteiros, o tratamento do lodo envolve desidratação e mineralização por bactérias que aderem às raízes das plantas, transformando o material em composto orgânico estável, pronto para uso agrícola. O período de acúmulo é de 5 a 10 anos, sem necessidade de manejo nesse prazo, o que reduz custos e impactos ambientais.
Além disso, a Sanepar anunciou um investimento de R$ 45,5 milhões em saneamento em Santo Antônio da Platina, reforçando seu compromisso com a expansão e modernização dos serviços no estado. A empresa também está explorando projetos para ampliar a distribuição de lodo tratado para a agricultura, promovendo uma economia circular e sustentável.

