Em comemoração ao Dia do Rio, celebrado nesta segunda-feira (24), a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) reforçou seu compromisso com a preservação ambiental e a saúde dos ecossistemas fluviais do estado. O trabalho desenvolvido na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém, a maior unidade da empresa, tem sido fundamental para proteger o Rio Iguaçu, um dos mais importantes cursos d'água paranaenses.
Entre janeiro e outubro deste ano, a estação tratou um volume impressionante de 40 milhões de metros cúbicos de esgoto, quantidade equivalente a 16 mil piscinas olímpicas que deixaram de ser despejadas diretamente no rio. Este resultado representa uma contribuição significativa para a preservação do ecossistema do Iguaçu, que corta diversas cidades paranaenses e é vital para a biodiversidade regional.
Os números mostram o impacto positivo do trabalho: nos primeiros dez meses de 2024, a ETE Belém removeu 580 mil toneladas de carga poluidora que seriam lançadas no rio, peso equivalente a 3.866 baleias-azuis. A eficiência do tratamento é comprovada pelos parâmetros técnicos - o efluente tratado chega ao Rio Iguaçu com apenas 5 mg/L de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), bem abaixo do limite de 25 mg/L estabelecido pelo Instituto Água e Terra (IAT).
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destacou a importância desta atuação: "A preservação dos rios do Paraná faz parte do trabalho diário da Sanepar, que tem como missão, além de atuar na promoção da saúde, evitando a doença, também atua na preservação do meio ambiente. A Companhia contribui para a preservação da biodiversidade no ambiente aquático". Ele acrescentou que, na semana em que se comemora o Dia do Rio, o trabalho promovido na ETE Belém reflete a sinergia entre o desenvolvimento das cidades e a preservação ambiental.
Raphael Tadashi Diniz, gerente da ETE Belém, explicou que a unidade alcança uma remoção de 98% da carga de DBO desde a entrada do esgoto bruto até o lançamento no rio receptor. "Nosso resultado contribui para melhorar a qualidade da água e ajudar o rio a depurar outros poluentes, já que a matéria orgânica é um dos indicadores de poluição dos cursos de água", afirmou. O parâmetro DBO é considerado o mais importante no contexto do tratamento de esgoto, medindo a quantidade de oxigênio consumida por microrganismos na decomposição da matéria orgânica.
O acompanhamento rigoroso da qualidade da água é feito pelo Laboratório Regional de Esgoto, que funciona na própria ETE Belém e é responsável pelas análises das estações da Capital e da Região Metropolitana. Mensalmente, são realizadas medições de DBO em pontos do rio antes e depois do lançamento do efluente tratado. "Percebemos que há uma diminuição da DBO do rio, ou seja, o efluente gerado aqui na ETE Belém tem uma qualidade superior às condições do rio. Como é um volume considerável de lançamento, 24 horas por dia, o rio acaba sendo beneficiado", ressaltou Diniz.
Localizada na divisa de Curitiba e São José dos Pinhais, junto ao Parque Náutico, a ETE Belém está em operação desde 1980 e completa 45 anos em 2024. A estação atende aproximadamente 850 mil moradores dos dois municípios e tem capacidade para tratar 2,5 mil litros de esgoto por segundo. O sistema utiliza tecnologia de lodo ativado convencional, processo biológico no qual microrganismos usam oxigênio para degradar a matéria orgânica, removendo substâncias poluentes.
O processo de tratamento começa com a remoção de resíduos sólidos e areia através de gradeamento e desarenadores. Em seguida, o esgoto passa pelos decantadores primários - implantados em 2022 na obra de ampliação da planta - para remoção de sólidos em suspensão. A fase seguinte ocorre nos tanques de aeração do tipo "carrossel", tecnologia desenvolvida na Holanda, onde é injetado oxigênio para degradação da matéria orgânica. Por fim, os decantadores secundários separam a parte sólida da líquida.
Um dos aspectos mais inovadores do sistema é a destinação sustentável do lodo gerado no tratamento. Diariamente, são produzidos aproximadamente 1.150 m³ de lodo, que são encaminhados para a Usina Sanepar de Bioenergia (USBio). Lá, os resíduos passam por biodigestores para produção de biogás, que é convertido em energia elétrica. Esta energia supre a demanda da própria usina e o excedente é injetado na rede distribuidora, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade.
Diniz destacou que "é uma tecnologia sustentável, que contribui com o meio ambiente reduzindo o uso de aterros sanitários para destinar os resíduos do tratamento de esgoto doméstico e ainda gera energia elétrica". Esta abordagem integrada demonstra como o saneamento básico pode ser aliado da preservação ambiental, transformando resíduos em recursos e protegendo os ecossistemas fluviais essenciais para a qualidade de vida da população paranaense.

