Um novo capítulo na história do abastecimento de água de Curitiba e Região Metropolitana começou a ser escrito no final de 2025, com o início da primeira etapa de enchimento do Reservatório Miringuava. A comporta principal foi fechada em 31 de dezembro e a água já represada está sendo utilizada na Estação de Tratamento de Água (ETA) Miringuava, reforçando o sistema que abastece milhões de paranaenses.

Localizada em São José dos Pinhais, a barragem será fundamental para reforçar a disponibilidade de água do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (SAIC), formado pelos reservatórios Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. Com o Miringuava, o sistema ampliará a reservação de água em 25% e a ETA Miringuava irá dobrar sua capacidade de tratamento, saltando de 1.000 para 2.000 litros de água por segundo.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destaca a importância estratégica da obra. “A Sanepar tem investido e se preparado para acompanhar o crescimento da capital e das cidades da Região Metropolitana e o Miringuava é uma das estratégias para assegurar água tratada para população e também superar cenários de escassez hídrica, um risco eminente diante das mudanças climáticas cada vez mais desafiadoras que enfrentamos”, afirma.

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A represa tem dimensões impressionantes: altura de 24 metros (equivalente a um prédio de oito andares) e 309 metros de extensão. Sua capacidade de reservação será de 38,2 bilhões de litros, o que corresponde a 15.280 piscinas olímpicas, em uma área alagada de 4,3 milhões de m² (equivalente a 602 campos de futebol). Para compensar o espaço utilizado, a Sanepar criou um corredor de biodiversidade de 7 milhões de m², área 62,6% superior à usada para reservação.

O reservatório atenderá diretamente 650 mil pessoas nos bairros Caximba, CIC, Ganchinho, Tatuquara, Umbará e Sítio Cercado, em Curitiba; e nas cidades de Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. Além disso, fortalecerá todo o sistema que abastece 3,5 milhões de habitantes da região metropolitana.

O enchimento acontece em etapas e depende do volume de chuvas, com monitoramento rigoroso de todas as fases. Com um regime fluvial dentro da estimativa, o prazo para que a represa esteja completamente cheia é de no mínimo nove meses, mas a água já está sendo utilizada para reforçar o sistema de abastecimento.

O projeto enfrentou diversos desafios ao longo de sua trajetória. “Enfrentamos desafios técnicos, dificuldades com as empresas contratadas e longos trâmites para obtenção de licenças ambientais, impactando o nosso cronograma. O esforço contínuo das equipes da Companhia foi essencial para a conclusão das obras e início das operações do Reservatório Miringuava”, ressalta Bley.

Além da infraestrutura hídrica, a Sanepar implementou ações socioambientais que impactaram mais de 60 mil pessoas em 2025, incluindo medidas de apoio e desenvolvimento para a comunidade da bacia. O vertedor da barragem, com 5 metros de diâmetro e capacidade de extravasar 178 mil litros de água por segundo, garante segurança em caso de cheias extremas.

Com o fechamento da primeira comporta, Curitiba e região dão um passo significativo rumo à segurança hídrica para as próximas décadas, em um projeto que combina engenharia de ponta com responsabilidade ambiental e social.