Um levantamento realizado pelo Procon-SP trouxe um alerta preocupante sobre o comportamento dos consumidores que utilizam sites de jogos e apostas online, as chamadas bets. A pesquisa, que é a segunda edição sobre o tema, revelou que quatro em cada dez apostadores (39,7%) se endividaram após iniciarem o relacionamento com essas plataformas.

O estudo foi respondido por 2.724 consumidores entre 4 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026 e mantém características similares à edição anterior quanto ao perfil dos apostadores: maioria masculina (61,8%), com até 44 anos (82,5%) e renda de até dois salários mínimos (38,6%). A novidade preocupante é o aumento no valor das apostas, com 30,1% dos entrevistados gastando mais de R$ 1.000,00 por mês.

Quando o foco se volta especificamente para os apostadores que já se endividaram, o perfil muda: mulheres representam 53,9%, pessoas com até 30 anos são 44,7% e aqueles com renda de até dois salários mínimos chegam a 46,8%. "Esse é um dos pontos mais expressivos em comparação com 2025 e reforça a importância de um monitoramento contínuo deste mercado e de indicadores sobre essas relações de consumo para proteger o cidadão", argumenta Elaine da Cruz, diretora Adjunta de Estudos e Pesquisas do Procon-SP.

Publicidade
Publicidade

O relatório apontou vários sinais de alerta no comportamento dos apostadores: 56,6% dizem se sentir influenciados por propagandas com celebridades; 62,2% relatam já ter enfrentado problemas com as empresas, sendo a principal queixa a recusa em pagar prêmios; e 52,4% alegam já ter comprometido boa parte da renda, utilizando até mesmo dinheiro aplicado ou empréstimos para jogar.

De caráter educativo, o levantamento servirá de base para orientações ao público e para futuras ações do órgão, incluindo iniciativas de fiscalização, prevenção ao endividamento e educação para o consumo responsável. O tema gerou repercussão espontânea, com um aumento de cerca de 78% no número de respondentes entre as edições anuais.

Apesar da criação de arcabouço regulatório em 2025, o comparativo entre as pesquisas revela a persistência e até aumento em alguns indicadores de risco. As decisões dos entrevistados em jogar seguem fortemente influenciadas por publicidades com celebridades — índice que passou de 52% em 2025 para 57% em 2026.

A legislação assegura aos apostadores todos os direitos dos consumidores previstos no Código de Defesa do Consumidor, incluindo o direito à informação adequada sobre como jogar, condições para resgate de valores e alertas sobre riscos de perda financeira e ludopatia. O Procon-SP desenvolveu uma cartilha sobre o tema em parceria com a OAB, disponível nos sites institucionais de ambas as entidades.

Desde o segundo semestre de 2025, o Procon-SP também ministra palestras gratuitas sobre jogos e apostas, abordando os principais problemas relatados por consumidores. A próxima edição será nesta quinta-feira (26), às 14h, pelo Microsoft Teams, com inscrições prévias até o dia anterior no site do órgão.