O prefeito de Nova York, o democrata Zohran Mamdani, criticou duramente a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos, classificando a ação como "um ato de guerra". Em coletiva de imprensa no sábado, Mamdani revelou ter tido uma conversa telefônica "franca e direta" com o ex-presidente Donald Trump, a quem transmitiu seu desacordo com a "insistência em uma mudança de regime" na Venezuela. O prefeito, eleito em novembro e empossado na última quinta-feira (1°), alertou que a operação viola leis federais e internacionais e afeta diretamente a comunidade venezuelana em Nova York.

Em comunicado publicado em sua página na rede social X, Mamdani disse ter sido informado sobre a captura de Maduro e sua esposa, Cília Fortes, em Caracas, e sobre a "planejada detenção sob custódia federal em Nova York". Ele lembrou que "atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação da lei federal e internacional". O prefeito enfatizou que a "busca por uma mudança de regime" na Venezuela impacta não apenas estrangeiros, mas também os nova-iorquinos, destacando que dezenas de milhares de venezuelanos consideram a cidade sua casa. "O meu foco é a segurança deles e a segurança de cada nova-iorquino", afirmou, prometendo monitorar a situação e emitir orientações relevantes.

A acusação dos Estados Unidos contra Nicolás Maduro será julgada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos no Distrito Sul de Nova York. Promotores do Ministério Público já haviam apresentado um processo em 2020, acusando o líder venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes com armas automáticas. A acusação baseia-se em uma investigação da Administração de Repressão de Drogas (DEA), que identifica Maduro como líder do Cartel de Los Soles, rede ligada a altas chefias militares venezuelanas que procurava enriquecer utilizando "a cocaína como arma contra os Estados Unidos".

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Maduro e sua mulher estão sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, Nova York, após serem capturados na capital venezuelana. Após aterrissar na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, aeroporto militar no norte do estado, o chefe de estado venezuelano desceu de um avião militar Boeing 757 acompanhado por uma ampla operação de segurança. Dezenas de agentes do FBI e da DEA o aguardavam sob temperatura de dois graus Celsius negativos. Maduro foi escoltado para uma instalação federal ligada à DEA, identificado e transferido para o Centro de Detenção Metropolitano. A presidência dos Estados Unidos divulgou imagens da detenção, mostrando Maduro caminhando por um corredor com uma passadeira azul e a inscrição DEA NYD - Administração de Repressão de Drogas do Distrito de Nova York. O líder venezuelano deverá se apresentar a um juiz federal em Manhattan nos próximos dias.

Os Estados Unidos lançaram no sábado (3) "um ataque de grande escala contra a Venezuela", capturando Maduro e sua mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela entregou a presidência interina à vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação". Não se sabe ainda quando ela tomará posse, mas Rodriguez, que será a primeira mulher na história do país a liderar o Executivo, já exigiu "a libertação imediata" de Nicolás Maduro, "o único presidente da Venezuela", e condenou a operação militar dos Estados Unidos.

A comunidade internacional tem se dividido entre a condenação da ação dos Estados Unidos e o júbilo pela queda de Maduro. Enquanto isso, o prefeito Mamdani continua a pressionar por uma solução que priorize a segurança e os direitos dos cidadãos, tanto na Venezuela quanto em Nova York, refletindo a complexidade geopolítica e humana deste episódio.