Enquanto o Brasil se prepara para o feriado oficial, Curitiba já vive há semanas a euforia carnavalesca nas ruas. O pré-carnaval da capital paranaense, fenômeno que antecede em cerca de um mês as festividades oficiais, transformou-se em um importante motor econômico e turístico para a cidade, atraindo milhares de foliões e aquecendo o comércio local.
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel-PR) revelam o impacto positivo desse período. "Por meio de pesquisa, identificamos os reflexos do Pré-Carnaval e do feriado em si no setor neste ano. No Paraná, cerca de 70% dos bares, restaurantes e comércios de alimentação entrevistados apontam que o faturamento será maior que o ano passado. Alguns estimam até 50% de aumento no movimento graças às festividades carnavalescas", afirma Luciano Bartolomeu, diretor executivo da Abrasel-PR.
Diferente de outras cidades onde o carnaval é organizado por prefeituras ou grandes entidades, o pré-carnaval curitibano é uma iniciativa popular, conduzida e organizada pelos próprios blocos – ou "bloquinhos" e "blocas", como muitos se autodenominam. Essa manifestação não é exclusiva da capital, mas ganhou notoriedade nacional por suas características únicas: reúne diversos grupos que não desfilam no feriado oficial, oferecendo variedade e exclusividade aos foliões.
Organizadores estimam que entre 200 mil e 300 mil pessoas participem das folias de rua a cada ano. A tradição já caminha – ou melhor, desfila – rumo a três décadas de existência, tendo surgido junto com a criação de um bloco pioneiro.
O pioneiro: Garibaldis e Sacis
Criado em 1999, o Garibaldis e Sacis é o primeiro e mais antigo bloco de pré-carnaval da capital ainda em atividade. A manifestação nasceu de um grupo de amigos motivados por um comentário ouvido no rádio: "Curitiba não tem Carnaval". Em vez de aceitar a afirmação, eles buscaram uma solução: se o curitibano não estava preparado para a festa, um aquecimento prévio poderia ajudar.
O nome homenageia o trajeto original do bloco, que ligava o Palácio Garibaldi ao antigo Bar do Saci, no Largo da Ordem, e também representa a mescla de etnias e culturas do Paraná – unindo um sobrenome de imigrantes a uma figura folclórica brasileira.
Marcel Cruz, músico, folião e organizador do bloco desde 2009, explica que o pré-carnaval surgiu para preencher uma lacuna. "Percebemos que o curitibano descia muito ao Litoral nesta época, não por desprezo ao Carnaval, mas por querer uma festa maior. O Garibaldis e o Pré-Carnaval, como um todo, supriram esse espaço, dando mais tempo de festa e mais oportunidade para que os moradores e viajantes façam esse turismo carnavalesco em Curitiba".
Marcel vai além: "Curitiba não tem Carnaval: Curitiba tem carnavais". Ele cita desde os blocos de rua até eventos alternativos como a Zombie Walk e o Psycho Carnival como exemplos da vocação diversificada da cidade para a data. "Quando acaba o feriado, a gente já está se preparando para a festa do ano seguinte. Muitos turistas nos visitam, justamente por ter mais datas disponíveis para festejar. Isso gira a economia de um jeito único, traz faturamento aos bares, restaurantes, hotéis, ambulantes e cria postos de emprego. É um retorno positivo ao Paraná, porque mostra Curitiba para todo Brasil".
A folia só aumenta
Atualmente, cerca de 30 grupos ativos desfilam pelas ruas do Centro – e às vezes em bairros vizinhos – antecedendo a festa oficial, que neste ano acontece de 14 a 17 de fevereiro, com o desfile das escolas de samba da série especial na Rua Marechal Deodoro.
A popularidade do evento só cresce, atraindo novos blocos a cada ano. Entre os mais recentes está o SiriBloco, criado em 2018. Fernanda Fausto, integrante do grupo, destaca a importância cultural do movimento. "É um movimento cultural muito forte de Curitiba, que posiciona a cidade junto de outras grandes metrópoles que fazem da sua folia um atrativo, como Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, lugares que recebem milhares de pessoas todos os anos. Carnaval fala muito de paixões e desejos, incluindo os desejos de consumo, como viajar e visitar outros destinos. Eu mesma, quando posso, gosto de viajar para conhecer como é o Carnaval em outros locais".
Os carnavais do Paraná
Com início em meados de janeiro, o pré-carnaval já levou diversas folias às ruas. Ainda restam saídas para a última semana que antecede o carnaval oficial, como a do Garibaldis e Sacis, marcada para o próximo domingo (8), no Paço da Liberdade. Como a festa é dinâmica, recomenda-se acompanhar horários e datas diretamente com cada bloco nas redes sociais.
O aquecimento econômico já é palpável: a rede hoteleira do Litoral já tem 90% dos leitos reservados para o feriado, enquanto em Curitiba as reservas chegam a 70%. As expectativas são altas: o Carnaval de 2026 deve bater recorde de movimentação financeira no Brasil – e no Paraná não será diferente. Do litoral ao interior, o estado oferece tradição, festas alternativas, opções em meio à natureza e muito mais, provando que há um carnaval para cada tipo de turista.

