A Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) anunciaram uma mudança significativa no planejamento do novo sistema de pedágio no estado. Após um diálogo técnico com a concessionária EPR, ficou definido que o pórtico de cobrança automática não será mais instalado no perímetro urbano de Rolândia, na região Norte do Paraná.
De acordo com o comunicado oficial, a empresa responsável pelo trecho vai instalar o equipamento na antiga praça de pedágio já existente no local. A decisão foi comunicada à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), órgão regulador que precisa autorizar qualquer cobrança de pedágio no país.
Esta mudança representa uma vitória para os moradores de Rolândia e região, que se mobilizaram contra a instalação do pórtico dentro da área urbana da cidade. A pressão popular e o diálogo com as autoridades estaduais resultaram nesta revisão do projeto original.
O Lote 4 das novas concessões rodoviárias do Paraná, que tem 627,52 quilômetros de extensão, foi arrematado pelo Grupo EPR no final do ano passado. O contrato prevê investimentos de R$ 10,8 bilhões em obras (Capex) e mais R$ 5,6 bilhões em conservação e serviços (Opex) ao longo da concessão.
Esta malha rodoviária é considerada estratégica para o escoamento da produção paranaense. O Lote 4 abrange rodovias que cruzam as regiões Norte, Noroeste e Oeste do estado, conectando importantes polos como Cornélio Procópio a Guaíra e Maringá a Nova Londrina. O trecho impacta diretamente 33 municípios da região, que concentram grande parte da produção agrícola, pecuária e industrial do Paraná.
A assinatura do contrato de concessão está marcada para o dia 6 de fevereiro, mas é importante destacar que as cobranças de pedágio não começam imediatamente nesta data. Após a formalização do acordo, a concessionária terá um período de até 30 dias para iniciar os serviços obrigatórios previstos no contrato.
Entre as primeiras ações da empresa estarão obras de recuperação do pavimento, melhorias na sinalização, adequação dos sistemas de drenagem e implantação dos serviços de atendimento ao usuário. Isso inclui a disponibilização de ambulâncias, guinchos e sistemas de inspeção de tráfego ao longo de todo o trecho concedido.
A ANTT só autorizará o início da cobrança de pedágio após verificar o cumprimento de todas as obrigações contratuais pela concessionária. Este processo garante que os usuários das rodovias comecem a pagar pelo serviço apenas quando as melhorias prometidas estiverem em andamento ou concluídas.
A decisão sobre o pórtico de Rolândia demonstra como o diálogo entre poder público, concessionárias e sociedade pode resultar em ajustes importantes nos projetos de infraestrutura. A mudança para a antiga praça de pedágio mantém a arrecadação necessária para as obras, mas minimiza o impacto sobre a população local que circula diariamente pela área urbana.

