Uma estratégia inusitada e criativa tem marcado o policiamento do Carnaval 2026 em São Paulo. Policiais civis da capital paulista estão usando fantasias de personagens populares, como os "Minions" da franquia Meu Malvado Favorito e até mesmo do vilão "Gru", para se infiltrar entre os foliões e combater crimes durante os blocos de rua. A tática, que pode parecer cômica à primeira vista, tem se mostrado extremamente eficiente na identificação e prisão de criminosos que se aproveitam das aglomerações.
Entre a noite de domingo (15) e a segunda-feira (16), quatro suspeitos foram presos graças a essa abordagem diferenciada. Na região da República, duas mulheres foram detidas em flagrante por furto qualificado logo após subtraírem um celular de um folião. Os policiais caracterizados como Minions conseguiram recuperar o aparelho no mesmo instante e devolvê-lo à vítima. Com as suspeitas, foi encontrado ainda um segundo telefone sem origem comprovada, que foi encaminhado para perícia.
Já na segunda-feira, no bairro Santa Cecília, outra mulher foi presa com nada menos que 10 aparelhos celulares em sua posse. Todos os equipamentos foram apreendidos para análise e tentativa de identificação dos proprietários legítimos. Pouco depois, no Parque do Ibirapuera, um homem foi detido por tráfico de drogas. Com ele, os agentes encontraram um celular, uma máquina de cartão, 54 cigarros de substância semelhante à maconha, aproximadamente 100 ml de líquido com características de lança-perfume, porções de skunk e de maconha, além de dinheiro em espécie.
De acordo com a delegada Sandra Buzati, divisionária da Delegacia de Proteção à Pessoa da Polícia Civil, "a atuação à paisana amplia a efetividade das abordagens, permite mapear o modus operandi de grupos criminosos e reduz a possibilidade de fuga em meio ao grande fluxo de pessoas". Ela explica que essa estratégia vem sendo adotada desde 2023 e tem apresentado resultados expressivos na segurança dos eventos de grande porte.
Com essas novas ocorrências, a Operação Carnaval 2026 já contabiliza 47 prisões na cidade de São Paulo e a recuperação de mais de 70 celulares nos dois primeiros fins de semana de festividades. Apenas no sábado (14), 32 aparelhos foram apreendidos em diferentes pontos da capital. No domingo (15), policiais fantasiados da turma do Chaves recuperaram oito celulares na região da República, enquanto agentes caracterizados como Caça-Fantasmas apreenderam outros 12 aparelhos na Consolação.
A tecnologia tem sido uma grande aliada nesse processo. A Polícia Civil realiza a triagem dos equipamentos apreendidos por meio do programa SP Mobile, que cruza dados das operadoras com boletins de ocorrência para identificar os proprietários e providenciar a devolução às vítimas. Além disso, as ações contam com apoio do programa Muralha Paulista, que integra câmeras inteligentes, reconhecimento facial e cruzamento de dados com bancos de mandados judiciais.
A Operação Carnaval mobiliza mais de 13 mil policiais militares por dia em todo o estado, sendo mais de 5 mil apenas na capital, além de equipes da Polícia Civil com atuação estratégica em áreas de grande concentração. A combinação entre inteligência, tecnologia e presença ostensiva - muitas vezes disfarçada de forma criativa - tem se mostrado fundamental para reduzir a mobilidade criminal e ampliar a segurança durante a maior festa popular do país.
O sucesso da operação mostra que, no Carnaval paulistano, a fantasia não é apenas para diversão. Ela também se tornou uma ferramenta importante no combate ao crime, permitindo que os policiais atuem de forma mais próxima aos foliões, identificando suspeitos que poderiam passar despercebidos em meio à multidão. Uma prova de que, às vezes, para proteger é preciso se misturar - mesmo que isso signifique vestir um macacão amarelo e óculos redinhos.

