Neste domingo (8), os parques Barigui e Bacacheri, em Curitiba, receberam uma mobilização especial da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp). Batizada de "Mulher Segura nos Parques", a ação levou informação e conscientização sobre o combate à violência contra a mulher a milhares de pessoas que frequentavam os espaços públicos entre 8h e 12h. Simultaneamente, outras seis cidades paranaenses - Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Londrina, Cascavel e Pato Branco - também realizaram atividades similares.

O evento contou com a presença do secretário Hudson Leôncio Teixeira e integrantes de todas as forças de segurança do estado: Polícia Militar do Paraná (PMPR), Polícia Civil do Paraná (PCPR), Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), Polícia Penal do Paraná (PPPR) e Polícia Científica do Paraná (PCIPR). A movimentação chamou a atenção dos passantes com a exibição de viaturas, aeronaves, cães e cavalos, além de shows de bandas de música das corporações.

Conscientização através do contato direto

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O objetivo principal foi levar informações sobre direitos, redes de proteção e formas de denunciar violências através de panfletagem e conversas diretas com os frequentadores dos parques. A ação está inserida no contexto do Programa Mulher Segura, iniciativa do Governo do Estado que busca promover conscientização sobre o tema. "A prevenção é uma das estratégias mais eficazes para reduzir esse tipo de violência, por isso o programa promove palestras buscando conscientizar tanto mulheres quanto homens. A proposta é discutir as causas da violência e mostrar às mulheres que existe uma rede de proteção disponível no Estado", ressalta o secretário Hudson Teixeira.

Presentes com significado especial

Nos postos de orientação, foram distribuídos brindes especiais como artesanatos do tipo amigurumis confeccionados por pessoas privadas de liberdade (PPL) em unidades penais de Cascavel, Ponta Grossa, Guarapuava, Londrina, Umuarama e Foz do Iguaçu. Além dos amigurumis, foram entregues bonecas artesanais de tecido, tapetes, naninhas e chaveiros. A produção das peças faz parte de projetos de laborterapia desenvolvidos nas unidades penais, que buscam estimular a qualificação profissional, a disciplina e a criação de oportunidades para as pessoas privadas de liberdade.

As mulheres que passaram pelos parques também receberam rosas de presente junto com os panfletos de orientações. A Ceasa apoiou a ação com a doação de 1.500 rosas que foram trabalhadas por custodiadas da Penitenciária Feminina de Piraquara para retirar os espinhos e embalar as flores.

Resultados positivos no combate à violência

O programa Mulher Segura já atingiu quase 224 mil pessoas em todo o Paraná com palestras sobre igualdade e respeito entre homens e mulheres, conscientização em relação à cultura do machismo e suas consequências, como agressões físicas, violência psicológica e, em casos extremos, o feminicídio. Os números mostram que o trabalho tem surtido efeito: em 2025, o estado registrou redução de 20% nos casos de feminicídio em comparação com 2024. Além disso, 337 dos 399 municípios paranaenses não tiveram registros desse tipo de crime ao longo do período.

Outro dado positivo é que no comparativo de janeiro de 2025 com janeiro de 2026 a queda de feminicídios foi de quase 40% no Paraná, com uma redução de 13 para 8 casos. As palestras são direcionadas tanto ao público feminino como masculino (De Homem Para Homem), para grupos mistos e até para adolescentes do ensino médio.

Estrutura de proteção em expansão

Criado em 2023, o programa já qualificou mais de 1,4 mil policiais e bombeiros como multiplicadores para atuar na disseminação de informações e no fortalecimento da cultura do diálogo. Ao todo, já foram realizadas quase 3 mil palestras em escolas, empresas, associações de bairro, aldeias indígenas, clubes e órgãos públicos, entre outros locais.

A Polícia Militar do Paraná mantém a Patrulha Maria da Penha, unidade especializada no enfrentamento à violência contra mulheres. As equipes realizam visitas preventivas após o registro de ocorrências nas polícias Militar ou Civil. Durante as ações, os policiais acompanham o cumprimento das medidas protetivas de urgência determinadas pelo Poder Judiciário e mantêm contato direto com vítimas e agressores para orientar e prevenir novos episódios de violência.

Em 2025, o número de visitas realizadas pela Patrulha Maria da Penha aumentou 54% em relação a 2024. "Já ultrapassamos 83 mil visitas comunitárias da patrulha. Esse retorno aos locais das ocorrências fortalece o acompanhamento e demonstra a presença do estado", afirma o tenente-coronel da PMPR, Cleverson Rodrigues Machado, coordenador do programa Mulher Segura.

Tecnologia a serviço da proteção

Entre as ferramentas tecnológicas adotadas pela Sesp está o Monitoramento Eletrônico Simultâneo (MES), sistema que conecta centrais da Polícia Militar do Paraná aos celulares de mulheres que possuem medidas protetivas concedidas pela Justiça contra agressores. O aplicativo alerta a vítima sobre a aproximação do agressor monitorado por tornozeleira eletrônica e, ao mesmo tempo, envia um aviso à central policial, permitindo uma resposta rápida das equipes de segurança.

Atualmente o sistema funciona em Curitiba e será ampliado para a região metropolitana da capital e Foz do Iguaçu no dia 17 de março, dentro também da programação da Sesp para o mês do Dia Internacional da Mulher. A meta é expandir gradualmente a tecnologia para todo o estado.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp) também desenvolve um algoritmo de inteligência artificial para mapear a probabilidade de mulheres vítimas de violência doméstica voltarem a sofrer agressões. A ferramenta cruza dados de boletins de ocorrência registrados entre 2010 e 2023 e integra a rede de proteção da Sesp às mulheres no Paraná, apoiando ações preventivas das polícias.

Atendimento humanizado

Outra iniciativa de fortalecimento da rede de proteção é a implantação das Delegacias Cidadãs da Polícia Civil do Paraná (PCPR). As unidades foram projetadas para oferecer atendimento mais humanizado, com espaços separados para vítimas e suspeitos, além de ambientes reservados para mulheres, crianças, adolescentes e idosos. O conceito reúne diferentes serviços em um mesmo espaço público, garantindo mais acolhimento e segurança para quem busca atendimento.

O Programa Mulher Segura integra a Operação Vida ao lado do Cidade Segura e atua diretamente nas comunidades com ações educativas, visitas técnicas e articulação interinstitucional. O foco é prevenir, proteger e combater os diferentes tipos de violência de gênero, com destaque para os casos de feminicídio, estupro e violência doméstica. Com a mensagem "Ninguém Segura uma Mulher Segura", o programa segue reforçando a importância do engajamento coletivo e da atuação integrada.

Como denunciar

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados à Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível registrar denúncias pelo telefone 197, da Polícia Civil do Paraná, ou de forma anônima pelo Disque Denúncia 181, disponível 24 horas por dia em todo o estado. As palestras do Programa Mulher Segura podem ser agendadas pelo site da Secretaria da Segurança Pública do Paraná.