A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) deu um passo importante na modernização do controle sanitário do estado. Nesta semana, uma portaria oficializou mudanças que substituem postos fixos de fiscalização por tecnologia de ponta e equipes volantes. A medida representa uma transformação na forma como o Paraná monitora o trânsito de animais, vegetais e seus produtos.

A principal novidade é a integração com o Programa Olho Vivo da Secretaria de Segurança Pública, que prevê a instalação de 26.500 câmeras em todo o estado nos próximos anos. As câmeras com tecnologia OCR (reconhecimento óptico de caracteres) vão permitir a leitura automática de placas de veículos que transportam carga agropecuária, dando mais agilidade e precisão ao trabalho dos fiscais.

Outro avanço significativo vem do convênio com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que garantirá à Adapar acesso a imagens de satélite atualizadas diariamente. Com resolução aprimorada e alcance de até dois quilômetros, essas imagens vão fortalecer a precisão das ações de fiscalização, especialmente em áreas de difícil acesso.

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Em fase final de desenvolvimento, o aplicativo do transportador promete revolucionar a rastreabilidade. A ferramenta vai centralizar o cadastro de todos os transportadores de animais do Paraná e integrar informações sanitárias, criando um banco de dados robusto para cruzamento com outros sistemas. "Está sendo finalizado e também serão usados drones, que servirão para o apoio à fiscalização", complementa o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

Como consequência direta dessa modernização, 12 Postos de Fiscalização do Trânsito Agropecuário (PFTA) serão desativados a partir do dia 10. Dez estão localizados na divisa com Santa Catarina, um na fronteira com São Paulo e outro na divisa com Mato Grosso do Sul. A desativação não significa redução de efetivo: os servidores serão realocados para escritórios locais e equipes volantes.

"Nós vamos aumentar a fiscalização volante e as fiscalizações com sistemas muito mais modernos", explica Martins. "Além disso, serão instaladas 66 novas câmeras, próximas aos postos desativados, para complementar a fiscalização do trânsito agropecuário no Paraná".

O diretor de Defesa Agropecuária, Renato Blood, detalha como funcionará o novo modelo: "O planejamento destas ações é feito pelo cruzamento da análise das imagens das câmeras do programa Olho Vivo com os dados do aplicativo dos transportadores de cargas de origem animal e vegetal, além de outras informações geradas dentro da Adapar. Isso contribui significativamente com a eficiência na barreira sanitária animal e vegetal do Estado".

Os servidores afetados pela desativação dos postos passarão por um treinamento de reintrodução nos dias 3 e 4 de março. Parte deles será designada para compor as equipes de fiscalização volante, que poderão atuar em qualquer local do estado com apoio das forças de segurança.

O Paraná também avança em outras frentes tecnológicas. O estado vai participar do programa de identificação individual de bovinos, que já está em fase piloto na região Sudoeste. Essa iniciativa complementa o pacote de modernização, fortalecendo a rastreabilidade desde a origem dos animais.

Para Martins, a nova abordagem mantém o compromisso com a proteção da saúde animal e sanidade vegetal, garantindo a segurança do sistema produtivo e a competitividade do agronegócio paranaense. "A modernização dos processos de fiscalização é essencial para mantermos nosso status sanitário, que é um dos melhores do país", conclui o dirigente.

A transição para um modelo baseado em tecnologia representa não apenas uma atualização operacional, mas uma mudança de paradigma na defesa agropecuária. Ao trocar postos fixos por monitoramento inteligente e fiscalização direcionada por análise de risco, o Paraná busca maior eficiência no combate a doenças e pragas, protegendo um dos setores mais importantes de sua economia.