A cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, vive dias de reconstrução após ser atingida por um tornado com ventos que ultrapassaram 250 km/h. O fenômeno climático, um dos mais violentos já registrados na região, deixou um rastro de destruição que afetou mais de 90% da área urbana do município da região Centro-Sul do estado. Segundo a Defesa Civil do Paraná, o balanço oficial registra sete pessoas mortas e dezenas de feridos.
A Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda do Paraná assumiu um papel central no apoio emergencial à população e às empresas locais. Desde o início da semana, a pasta coordena ações para cadastrar trabalhadores e empresários afetados, garantindo acesso a programas de emprego e renda. Como parte dessa estratégia, o ônibus do programa Emprega Mais Paraná foi deslocado para Rio Bonito do Iguaçu e funciona como ponto de atendimento móvel.
O secretário Do Carmo explicou a abordagem: "Neste primeiro momento, precisamos saber quem são esses funcionários. Depois, será possível dar encaminhamento aos auxílios. Estamos em contato com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para essa continuidade". Além do suporte imediato, a Secretaria planeja oferecer qualificação profissional através de cursos de 300 horas, disponíveis tanto no formato presencial quanto a distância para os trabalhadores cadastrados.
Os empresários também estão sendo orientados a realizar um registro formal para ter seus direitos resguardados. Danilo Ferreira de Almeida, presidente da Associação Comercial de Rio Bonito do Iguaçu, participou de uma reunião com representantes do Estado nesta terça-feira (11) e manifestou otimismo: "Agora vamos conseguir entrar em uma nova fase. Até ontem, estava difícil saber por onde começar, mas, com o apoio e a atenção do Estado, conseguimos pensar em um recomeço".
Danilo destacou a mobilização solidária que tomou conta da cidade: "As equipes do governo e de municípios vizinhos estão em todo lugar. Tem caminhão chegando com lona, outro com pão, outro com cobertor. É bonito de ver. Agora, com as ações anunciadas pelo Estado, os empresários estão sentindo mais firmeza. Acho que a partir de agora vamos conseguir retomar com mais segurança".
Nos escombros, histórias de resistência e solidariedade surgem como símbolos de esperança. Comerciantes têm mantido o atendimento de forma improvisada, oferecendo produtos, refeições e abrigo a voluntários e vizinhos. Anderson Moreira, gerente de uma loja de materiais de construção que foi totalmente destruída, contou como escapou do tornado: "Eu estava na loja e pedi pros colegas saírem mais cedo porque o tempo estava feio. Cinco minutos depois, o tornado passou e levou tudo".
Mesmo sem estrutura, Anderson e sua equipe não pararam: "No mesmo dia, a gente começou a atender na outra unidade, sem luz, sem internet, só com um caderno e uma caneta. Pegava o CPF e o nome das pessoas pra anotar. O importante era ajudar". Sobre o futuro, ele mantém a confiança: "Meu patrão participou de uma reunião com o governo e o prefeito, e falaram que vai ter ajuda. Então ele abriu as portas e disse: vamos confiar. Agora é fé e trabalho".
Maria de Lourdes Pacheco, que mantém uma lanchonete em frente à paróquia há mais de vinte anos, transformou seu estabelecimento em ponto de apoio: "O pessoal vem pra comer, pra usar o banheiro, pra descansar um pouco. Quem tem dinheiro paga, quem não tem, a gente anota. Vai na boa fé. O importante é ajudar uns aos outros". Ela reforça seu compromisso com a cidade: "Pensei em ir embora, mas não vou abandonar minha cidade. A gente vai colocar tudo de pé de novo".
A solidariedade se tornou rotina entre os comerciantes. Gilmar Kruger, dono de uma loja de móveis, deixa o espaço aberto para quem está ajudando na reconstrução: "A gente deixa o pessoal entrar, comer, descansar. É hora de se abraçar como nunca. A gente espera a ajuda do governo pra se restabelecer, mas também tem muita fé de que tudo vai melhorar".
Paulo Henrique Brustolin, veterinário e dono de uma agropecuária, perdeu a casa mas mantém o comércio ativo: "Agradecer por estarmos vivos já é muito. A loja fica aberta até as 16h pra atender quem precisa, e depois a gente sai pra ajudar os outros. É hora de unir forças".
O governo do Paraná anunciou ainda um auxílio de R$ 1 mil por mês para pessoas em situação de vulnerabilidade em Rio Bonito do Iguaçu, complementando as ações de cadastro e qualificação profissional. Paralelamente, 400 profissionais de saúde foram mobilizados para atender as vítimas do tornado, em uma operação que envolve múltiplas secretarias estaduais e o apoio de municípios vizinhos.
Enquanto a cidade enfrenta o desafio de reconstruir 90% de sua área urbana, a combinação de apoio governamental e a resiliência da comunidade local apontam para um recomeço baseado na união e na esperança de dias melhores.

