O feijão, alimento básico no prato do brasileiro, encontra no Paraná seu principal polo produtor e de pesquisa no país. Em 2025, o estado confirmou sua posição de maior produtor nacional, respondendo por cerca de 25% do total colhido no Brasil, com um novo recorde de quase 865 mil toneladas somando as duas safras anuais – 338 mil na primeira e 526,6 mil na segunda.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, os números refletem um modelo de produção consolidado. "Somos o estado mais sustentável do Brasil e o que mais produz por metro quadrado no mundo, resultado de investimento contínuo em tecnologia, pesquisa e gestão eficiente, e isso também se confirma de forma clara na cadeia do feijão. Quando somamos todos esses fatores o resultado é o aumento da renda para o produtor rural", afirma.
Além da produção em larga escala, o Paraná se destaca no desenvolvimento de cultivares de feijão. Dados do Controle de Produção de Sementes e Mudas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Sigef/Mapa) mostram que, nas safras de 2024/25 e 2025/25, foram implantados no Brasil 17.822 hectares de campos de produção de sementes de feijão do grupo comercial carioca e 14.337 hectares do grupo comercial preto. As cultivares desenvolvidas no estado representam 38,8% desse total.
"O IDR-Paraná tem essa expertise de desenvolver cultivares que se ajustem às condições da nossa gente, dos nossos agricultores, e hoje não é só uma referência estadual, é uma referência nacional. Por isso que o IDR, através da sua pesquisa, é reconhecido no Brasil inteiro. Na cultura do feijão isso ocorre também dessa forma", comenta Natalino Avance de Souza, diretor-presidente do IDR-Paraná.
Segundo José dos Santos Neto, coordenador estadual do programa Grãos-Feijão e Cereais de Inverno do IDR-Paraná, o programa de melhoramento genético do instituto consolida-se como protagonista nacional na oferta de cultivares de alto desempenho. Atualmente, o IDR-Paraná tem nove cultivares sendo multiplicadas por parceiros produtores de sementes, liderando a produção de sementes do grupo comercial preto com 71,2% de toda a área multiplicada no Brasil.
Esse destaque é impulsionado principalmente pela cultivar IPR Urutau, que alcançou 9.844 hectares de produção de sementes em todo o país. Considerando todos os grupos comerciais, foi a cultivar mais multiplicada do Brasil na última safra, correspondendo a 68,7% de todas as multiplicações de feijão preto. "O desempenho excepcional da IPR Urutau confirma a eficiência do trabalho desenvolvido pelo programa de melhoramento de feijão do IDR-Paraná, que há décadas investe em genética, produtividade, sanidade e adaptação às diferentes regiões produtoras", afirma Santos Neto.
O programa de melhoramento genético do IDR-Paraná já desenvolveu 42 cultivares, utilizadas por agricultores de todas as regiões produtoras do Brasil. Vania Moda Cirino, diretora de Pesquisa do IDR-Paraná e melhorista em feijão, salienta que o desenvolvimento de novas cultivares amplia as alternativas de escolha e aumenta a variabilidade genética, diminuindo a vulnerabilidade da cultura.
"A utilização de variedades melhoradas constitui uma das principais tecnologias para redução do custo de produção, agregação de valor ao produto, proporcionando a elevação da renda do agricultor, estimulando a sucessão familiar e a fixação do pequeno produtor no campo. Essas tecnologias trazem vantagens econômicas, sociais e ambientais, garantindo a sustentabilidade do negócio agrícola no Paraná e no Brasil", explica Vania.
Em março de 2026, o IDR-Paraná lançará sua 43ª cultivar de feijão, a IPR Quiriquiri, que pertence ao grupo comercial carioca e tem escurecimento lento do tegumento (casca) dos grãos – característica muito demandada pela indústria e pelos agricultores, pois significa que a parte externa do feijão demora mais tempo para escurecer após a colheita e durante o armazenamento.

