A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) deu início nesta terça-feira (17) a uma nova operação de combate à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no litoral do estado. A ação, que se estende até 27 de março, abrange os sete municípios da região – Pontal do Paraná, Paranaguá, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Antonina e Guaraqueçaba – e tem caráter essencialmente preventivo.
A iniciativa começou com uma reunião no Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Pontal do Paraná, onde 16 servidores da autarquia receberam orientações sobre objetivos e metodologia de trabalho. Participam também médicos-veterinários do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), iniciativa de conservação ambiental patrocinada pela Petrobras e executada pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR.
A chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Adapar, Pauline Sperka, responsável por orientar os servidores, destacou a importância das ações contínuas. “A manutenção de equipes a campo, com ações contínuas de vigilância, orientação e fiscalização, é essencial para mitigar o risco e preservar o status sanitário da agricultura paranaense, garantindo a segurança da cadeia produtiva”, afirmou.
O Paraná registrou 13 focos da doença em aves silvestres em 2023, mas desde então não houve novas ocorrências. Atualmente, não há suspeitas em investigação, e a operação se baseia em análise de risco. As atividades incluem fiscalização de propriedades com criação de aves, orientação sobre prevenção à introdução do vírus da IAAP e da Doença de Newcastle (DNC), além de educação sanitária voltada a proprietários de aves de subsistência.
O médico-veterinário e responsável técnico do PMP-BS, Fábio Henrique de Lima, destacou a importância da parceria. “O trabalho executado pelo Laboratório da Ecologia de Conservação com a Adapar foi algo essencial para que a gente conseguisse controlar não só a questão da parte produtiva em relação à gripe aviária, mas também em relação à conservação da fauna marinha”, comentou. Ele ainda ressaltou que a colaboração fortalece o conceito de “uma só saúde”, integrando saúde humana, animal e ambiental.
Após as orientações iniciais, as equipes definiram rotas de atuação e cronogramas para cumprir metas de fiscalização. A fiscal de Defesa Agropecuária Anna Carolina Penna, que atua normalmente no escritório de Ivaiporã e participa pela primeira vez de uma operação no litoral, expressou sua expectativa: “É um trabalho totalmente diferente do que estamos acostumados no interior, onde trabalhamos mais com os animais de produção. Ter esse contato diferenciado aqui no Centro do Mar é importante para a gente. Viemos para somar”.
A manutenção do status sanitário de área livre de influenza aviária é crucial para o Paraná, maior produtor de proteína animal do Brasil e responsável por mais de um terço da produção nacional de carne de frango. Além dos impactos na saúde pública e no conceito de Saúde Única, o controle de doenças afeta diretamente a geração de empregos, o desenvolvimento econômico e o abastecimento alimentar em nível nacional.

