O Paraná dá início a um levantamento inédito e abrangente para traçar o perfil dos cuidadores de pessoas idosas em todo o Estado. A pesquisa, batizada de Perfil dos Cuidadores de Pessoas Idosas no Paraná (PCIP), será conduzida pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) entre abril e agosto deste ano, com um investimento de R$ 7,5 milhões do Fundo Paraná de Ciência, Tecnologia e Inovação.
O objetivo central é gerar dados robustos que sirvam de base para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas a esse setor. A projeção é visitar cerca de 60 mil domicílios e mais de 400 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em seis cidades-polo estrategicamente escolhidas: Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Guarapuava. A previsão é que os primeiros resultados sejam divulgados em novembro de 2026.
O estudo busca identificar as condições de trabalho, os desafios enfrentados no dia a dia e as práticas adotadas por esses profissionais e familiares. "A pesquisa começa este ano e terá duração de dois anos, com resultados parciais já no segundo semestre. Por meio desses dados, será possível aperfeiçoar o suporte a essa importante categoria e acelerar o desenvolvimento de políticas sociais no Estado", detalhou o presidente do Ipardes, Jorge Callado.
Um dos focos práticos da utilização dessas informações é o aprimoramento de programas estaduais já existentes, como a Bolsa Cuidador Familiar, que oferece auxílio mensal a familiares que cuidam de idosos com dependência ou alta fragilidade, e o Cadastro de Cuidadores Familiares, iniciativa que depende mais da adesão da população para alcançar sua efetividade plena.
Para a secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), Leandre Dal Ponte, entender a realidade desses cuidadores é fundamental. "Queremos conhecer quem são essas pessoas e em qual realidade vivem para ajudá-las de forma assertiva. A pesquisa vem em um momento ímpar para o Estado, que foi reconhecido como o primeiro da América do Sul, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como um território amigo da pessoa idosa", explicou.
O levantamento também se alinha às projeções demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indicam um rápido processo de envelhecimento populacional no Paraná. Atualmente, o Estado possui mais de 2 milhões de idosos, o que representa 17,6% da população. A tendência é que, até 2027, esse número supere o de jovens, reforçando a urgência de políticas bem estruturadas.
Como vai funcionar a coleta de dados
A partir de abril, 80 representantes do Ipardes atuarão em campo. Os entrevistadores entrarão em contato com os responsáveis pelas instituições e domicílios para agendar as visitas. O chefe do Departamento de Estudos Populacionais e Sociais do instituto, Leonildo Pereira de Souza, esclareceu que as equipes estarão devidamente identificadas para garantir segurança e transparência. "Nossos funcionários portarão coletes e crachás com QR Code. Ao escanear o código, o cidadão será direcionado ao site do Ipardes para confirmar a identidade do entrevistador e obter informações sobre a pesquisa, garantindo total segurança", afirmou.
A iniciativa coloca o Paraná na vanguarda das discussões sobre envelhecimento e cuidado no país, criando uma base de dados que poderá orientar ações concretas para melhorar a vida tanto dos idosos quanto daqueles que dedicam seu tempo e esforço aos seus cuidados.

