Uma semana após o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, o Governo do Estado do Paraná está dando um passo significativo no aperfeiçoamento de seus protocolos de prevenção e resposta a desastres naturais. Nesta sexta-feira (14), o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, formalizou uma importante parceria internacional durante a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Secretaria das Cidades e a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O acordo tem como objetivo principal incorporar metodologias internacionais que não apenas contribuirão com a reconstrução da cidade paranaense, mas servirão como um legado valioso na preparação para outros eventos extremos que possam ocorrer no futuro. Segundo Guto Silva, que tem acompanhado pessoalmente as diversas frentes de trabalho dos órgãos estaduais em Rio Bonito do Iguaçu, esta parceria oficializa um apoio técnico que, na prática, já vinha sendo articulado desde os primeiros dias após o desastre.
O secretário destacou que o Paraná possui protocolos consolidados e experiência reconhecida na resposta emergencial, mas enfatizou que a cooperação com a ONU amplia significativamente a capacidade de atuação do Estado em todas as fases do processo de recuperação. "A assinatura desse termo de cooperação técnica reforça um trabalho que já começamos aqui em campo e que busca aperfeiçoar os nossos protocolos de resposta", explicou Silva durante a cerimônia.
O dirigente estadual foi além ao explicar que esses protocolos vão muito além da resposta emergencial imediata. "Eles também envolvem um cuidado prolongado, justamente para que a cidade volte a ter dinamismo econômico, gere emprego e as pessoas possam permanecer aqui neste momento de crise e complexidade", acrescentou, demonstrando a visão de longo prazo que orienta as ações do governo.
Na avaliação da coordenadora de Projetos da OIM Brasil, Adriane Nunes Ferreira, a cooperação técnica com o Governo do Estado representa um avanço significativo no alcance das ações que já vinham sendo desenvolvidas. Ela explica que o memorando formaliza responsabilidades e proporciona um apoio mais estruturado ao trabalho do poder público local. "Com a formalização, conseguimos ampliar a troca de informações e apoiar ainda mais o trabalho dos órgãos estaduais em várias frentes de trabalho", afirmou a representante da organização internacional.
Um dos aspectos centrais desta cooperação é a gestão da informação, considerada essencial para garantir organização, segurança jurídica e precisão no atendimento às famílias afetadas pelo desastre. Adriane detalha que a equipe técnica da OIM está trabalhando ativamente na compilação, cruzamento e validação dos cadastros realizados pelo Estado, município e União, um processo crucial para evitar duplicidades e acelerar a concessão dos benefícios às vítimas.
Os protocolos que estão sendo desenvolvidos neste momento farão parte de um legado permanente para a gestão de situações de desastre no Paraná. "Isso se torna um modelo a ser replicado, sempre com as adaptações necessárias, para outros municípios do estado, porque algumas necessidades, como a evacuação, abrigamento e organização dos fluxos de atendimentos, se repetem em diferentes tipos de desastre", esclareceu a coordenadora da OIM.
Do lado operacional, o coordenador de Emergências da OIM Brasil, Eugenio Guimarães, destacou que a prioridade da agência em Rio Bonito do Iguaçu tem sido ajudar na identificação precisa das famílias atingidas, especialmente entre as aproximadamente mil pessoas que ficaram desalojadas após a passagem do tornado. "Trabalhamos para saber onde essas pessoas estão e garantir que tenham acesso aos benefícios sociais", afirmou Guimarães, enfatizando o caráter humanitário da missão.
A OIM também está colaborando diretamente com os técnicos estaduais na elaboração de um formulário padronizado de necessidades, uma ferramenta que vai orientar o direcionamento da assistência social nas próximas etapas do complexo processo de reconstrução da cidade. Segundo o coordenador de Emergências, esta metodologia incorpora experiências bem-sucedidas aplicadas em outros países da América do Sul.
"Estamos trazendo referências internacionais, como o Peru, que é um exemplo de sucesso na reconstrução pós-desastres, e adaptando os conceitos à realidade local", explicou Guimarães, demonstrando como o conhecimento acumulado em outras partes do mundo está sendo aplicado de forma contextualizada para beneficiar a população paranaense.
Enquanto isso, no campo prático, a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) já concluiu 1,5 mil vistorias em Rio Bonito do Iguaçu e agora trabalha na consolidação dos cadastros, um trabalho que ganha nova dimensão com o apoio técnico internacional. Em outra frente de apoio, presos do Complexo Penitenciário de Piraquara estão produzindo carrinhos de mão que serão utilizados nos trabalhos de reconstrução, demonstrando como diferentes setores da sociedade estão se mobilizando para ajudar na recuperação da cidade.
Esta cooperação internacional representa um marco na forma como o Paraná enfrenta os desafios impostos pelos desastres naturais, combinando a expertise local com o conhecimento global para construir não apenas uma cidade, mas um sistema mais resiliente e preparado para o futuro.

