Apenas um dia após a publicação do decreto que regulamenta o programa Reconstrução, o Governo do Paraná iniciou a entrega dos primeiros 165 cartões do benefício nesta quinta-feira (20), em Rio Bonito do Iguaçu. O auxílio, que pode chegar a R$ 50 mil por família, é destinado às vítimas do tornado que devastou a cidade no dia 7 de novembro, destruindo ou danificando centenas de moradias.

A liberação do cartão marca o início efetivo da fase de reconstrução das residências, após uma operação emergencial que garantiu atendimento imediato às vítimas, mapeamento das áreas atingidas e avaliação técnica dos imóveis. O benefício é dividido em duas modalidades: o Cartão Reconstrução, entregue fisicamente para compra exclusiva de materiais de construção em estabelecimentos que aceitam a bandeira Elo, e o Voucher de Serviços, depositado em poupança social no Banco do Brasil para contratação de mão de obra especializada.

Conforme estabelecido no decreto, 80% do valor total deve ser utilizado para materiais de construção e 20% para serviços. Os comprovantes de compras e recibos de contratação devem ser guardados pelas famílias por um período de cinco anos. Ambos os benefícios são liberados por CPF e vinculados diretamente à unidade habitacional afetada.

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Na cerimônia de entrega, as famílias foram informadas sobre os critérios técnicos utilizados para avaliação dos danos, que incluíram laudos elaborados por engenheiros e arquitetos voluntários do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) e homologados pela Defesa Civil Estadual. É com base nesses documentos que foi determinado o valor do benefício para cada família e a seleção deste primeiro lote de beneficiários.

Os valores variam conforme a gravidade dos danos: famílias com destruição total recebem R$ 50 mil (R$ 40 mil no cartão e R$ 10 mil no voucher), aquelas com destruição parcial grave recebem R$ 35 mil (R$ 28 mil no cartão e R$ 7 mil no voucher), e moradias com destruição parcial leve recebem R$ 20 mil (R$ 16 mil para materiais e R$ 4 mil para mão de obra). Imóveis considerados habitáveis não recebem o auxílio.

Dos 165 cartões entregues nesta quinta-feira, 82 são de R$ 20 mil, 28 de R$ 35 mil e 55 de R$ 50 mil, totalizando R$ 5,37 milhões nesta primeira etapa. O montante faz parte dos R$ 50 milhões destinados pelo Governo do Estado ao Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap).

O secretário do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni, destacou a agilidade na liberação dos auxílios. "O governador determinou o pagamento emergencial de R$ 1 mil por seis meses e, já na terça-feira, conseguimos fazer a primeira leva, com 900 famílias recebendo o valor. Agora, com o Cartão Reconstrução, entregamos até R$ 50 mil para que possam comprar material e contratar mão de obra. É muito importante ver a agilidade da resposta do Governo do Estado. A cidade já começa a se reconstruir", afirmou.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Shunig, reforçou que a entrega dos primeiros cartões é um resultado alcançado poucos dias após o desastre. "O tornado aconteceu há 14 dias e já estamos em condição de entregar o primeiro lote do Reconstrução Paraná", refletiu. Ele orienta que os moradores consultem o sistema disponibilizado pela Defesa Civil (através de QR Code) para verificar se estão na lista e compareçam com documentos que comprovem a propriedade do imóvel.

Para muitos beneficiários, o cartão representa um recomeço após dias de perdas e incertezas. Nailor Marques, pedreiro de 57 anos que teve a casa destelhada em segundos, compartilha: "Deu aquele transtorno e levou tudo em 30, 40 segundos. Esse recurso ajuda muito é um recomeço. Agora é esperar reconstruir o que tinha e seguir em frente". Antônio Nunes, 54 anos, que trabalha com jardinagem, celebra: "O vento levou tudo. Ficamos assustados. Minha casa perdeu cobertura, janela, porta, padrão de luz. Hoje vim buscar o recurso para levantar de novo. Vai ajudar muito. É um jeito de ter esperança".

Além do auxílio para reconstrução, o Governo do Estado já iniciou o pagamento do benefício emergencial de R$ 1 mil mensais por seis meses e autorizou a construção de 320 casas emergenciais em modelo industrializado para acelerar o reassentamento das famílias que perderam tudo.