O Paraná registrou um recorde histórico no atendimento a animais silvestres no ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Água e Terra (IAT). A rede de proteção coordenada pelo órgão ambiental realizou 6.025 atendimentos em 2025, um aumento expressivo de 61,3% em relação aos 3.735 registros do ano anterior. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (18) e revelam um esforço crescente na preservação da fauna no estado.

O levantamento considerou tanto os 4.189 atendimentos prestados diretamente pelos escritórios regionais do IAT (69,5% do total) quanto os 1.836 animais socorridos por entidades conveniadas. Entre essas instituições parceiras estão os Centros de Atendimento à Fauna Silvestre (Cafs) e os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que desempenham papel fundamental na rede de proteção.

Londrina lidera ranking de atendimentos

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Na divisão por regiões, o Centro de Atendimento à Fauna Silvestre (Cafs) do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), em Londrina, no Norte do estado, foi o que mais realizou procedimentos. A unidade atendeu 1.169 animais silvestres, representando cerca de 19% do total estadual. Em segundo lugar ficou a sede do Instituto Água e Terra em Curitiba, com 977 animais resgatados.

Outros núcleos regionais que se destacaram foram Maringá, no Noroeste, com 589 animais atendidos; Cascavel, no Oeste, com 585; Foz do Iguaçu, também no Oeste, com 462; e Umuarama, no Noroeste, com 229. Entre os espaços conveniados, além do Cafs de Londrina, registraram números significativos o Cetas da Unicentro em Guarapuava (574 animais), o Cafs do Parque das Aves em Foz do Iguaçu (59), o Cetas Campos Gerais em Ponta Grossa (13) e o Cafs da Univel em Cascavel (11).

Aves são a maioria dos animais atendidos

Em relação ao perfil da fauna socorrida, as aves representaram a grande maioria dos atendimentos, totalizando 4.111 indivíduos (68% do total). Em seguida, aparecem 1.421 mamíferos, 491 répteis e apenas dois invertebrados terrestres. A bióloga Nathalia Colombo, da Diretoria do Patrimônio Natural do IAT, destaca a importância da coexistência harmoniosa entre humanos e animais silvestres.

"A coexistência com esses animais exige a criação de um ambiente onde humanos e a vida selvagem possam viver lado a lado, por meio da educação ambiental e de estratégias de comunicação que engajem a sociedade a respeito do tema. Além disso, é claro, é importante a adoção de práticas de manejo que minimizem conflitos humano-fauna", afirma a especialista.

Como funciona a rede de atendimento

Segundo a Instrução Normativa 06 de 2025, o Cafs é um local preparado para receber, identificar, marcar, triar, avaliar, estabelecer tratamento veterinário e destinação para animais silvestres acolhidos por órgão ambiental em ações de fiscalização, resgates ou entrega voluntária por particulares. A permanência dos animais nesses centros depende do tempo necessário para sua recuperação.

O destino final dos animais varia conforme cada caso. Quando possível, eles são soltos em seu habitat natural. Quando há risco para sua sobrevivência se devolvidos à natureza, os animais são encaminhados a empreendimentos licenciados pelo IAT ou a mantenedores individuais igualmente habilitados pelo órgão ambiental.

Os atendimentos são personalizados para cada animal, mas geralmente consistem na avaliação inicial e, quando necessário, tratamento de doenças, acompanhamento biológico, uso de medicações e curativos, e até procedimentos cirúrgicos. Esse tipo de atenção especializada ajuda não apenas a proteger a fauna silvestre, mas também a prevenir o aumento de animais em risco de extinção.

Estrutura estadual de proteção

A rede de apoio à fauna silvestre criada pelo Governo do Estado conta atualmente com várias instituições estratégicas. O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) está localizado no campus da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) em Guarapuava, na região Central do Paraná. Além disso, há cinco Cafs resultantes de convênios entre o IAT e instituições de ensino como o Centro Universitário Filadélfia (Unifil) de Londrina, o Centro Universitário de Cascavel (Univel) e a Unicesumar de Maringá.

A rede também inclui parcerias com o Parque das Aves de Foz do Iguaçu, com a Prefeitura de Curitiba, e com o instituto ambiental Klimionte de Ponta Grossa, responsável pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) da região.

Como ajudar a fauna silvestre

A população pode contribuir com a proteção dos animais silvestres ao avistar algum animal ferido ou ao ter conhecimento de atividades ilegais contra a fauna. Nesses casos, é possível entrar em contato por meio da Ouvidoria do Instituto Água e Terra ou ligar para o Disque Denúncia 181. As informações devem ser passadas de forma objetiva e precisa, com detalhes sobre a localização e o que aconteceu com o animal.

Quanto mais detalhada for a descrição da ocorrência, melhor será a apuração dos fatos e mais rapidamente as equipes especializadas conseguirão realizar o atendimento necessário. A participação da sociedade é fundamental para o sucesso das ações de preservação da fauna paranaense.