O Governo do Estado do Paraná anunciou uma ampliação na oferta de esterilizações exclusivas para gatos por meio do programa CastraPet Paraná a partir deste mês de março. A medida tem como objetivo principal ajudar no combate à esporotricose, uma zoonose infecciosa que afeta tanto felinos quanto seres humanos. O número de vagas terá um acréscimo médio de 15%, variando conforme o município.
Em Marmeleiro, na região Sudoeste, por exemplo, serão realizadas 20 cirurgias a mais no mutirão previsto para o dia 25 de abril. Desde o início do quinto ciclo do projeto, em novembro de 2025, mais de 6 mil gatos já foram castrados gratuitamente. Esta fase da proposta segue até julho, reforçando o compromisso com a saúde pública e animal.
Para agendar a esterilização, os cidadãos devem se dirigir a um dos pontos de atendimento definidos pela prefeitura de seu município, parceira do Estado na execução da iniciativa. No ato da inscrição, os tutores recebem orientações sobre o pré-operatório. Após a cirurgia, são disponibilizadas instruções de pós-operatório, medicamentos necessários e a implantação de microchip eletrônico para identificação do animal.
A iniciativa integra uma rede de colaboração que reúne organizações não governamentais e protetores independentes, todos alinhados ao propósito de promover a conscientização da sociedade quanto à guarda responsável e ao bem-estar animal. Girlene Jacob, coordenadora e responsável técnica pelo CastraPet, explica que a esterilização é fundamental para conter a esporotricose.
"Arranhaduras, mordeduras ou contato direto com gatos doentes e ambientes contaminados são algumas das formas de transmissão da esporotricose. Ao ampliar as vagas destinadas apenas aos felinos, queremos cuidar tanto da população quanto dos animais", ressalta Girlene. Ela complementa que as zoonoses estão ligadas principalmente ao desequilíbrio ambiental, à falta de saneamento básico e ao manejo inadequado dos animais.
A castração, segundo a coordenadora, é uma ferramenta essencial para reduzir a disseminação da doença, pois age diretamente no comportamento do animal. "Situações que favorecem a transmissão do fungo, como brigas entre gatos na rua, diminuem após a esterilização por causa das reduções hormonais ligadas à reprodução e à disputa de território. Além disso, a prática contribui para o controle da população felina", afirma.
Outra medida importante de combate à zoonose é impedir que o gato tenha acesso facilitado à rua. "A posse responsável é uma forma de prevenção porque impede o encontro com outros animais infectados", diz Girlene. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o sintoma inicial da esporotricose ocorre por meio de uma lesão similar a uma picada de inseto, com o aparecimento de ferimentos e úlceras na pele e nas mucosas.
Em casos mais graves, o fungo pode afetar os pulmões, causando tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. As articulações e ossos também podem ser afetados, apresentando inchaço e dor ao se movimentar. O tratamento, que deve ser feito com orientação e acompanhamento médico, varia de três meses a um ano. A doença tem cura tanto para animais quanto para humanos, e a melhor forma de combater a disseminação é o tratamento correto.
Ao se deparar com um animal de rua em situação suspeita, é necessário avisar a Vigilância em Saúde do município e não tocá-lo. Se for um animal de estimação, deve ser levado imediatamente ao veterinário. Everton Souza, diretor-presidente do IAT, destaca: "Estamos reforçando as ações de prevenção por meio da ampliação das castrações de gatos no programa CastraPet. A doença é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida dos animais para os humanos, e os gatos têm um papel importante na cadeia de transmissão".
Ele acrescenta que a castração é uma medida estratégica porque reduz brigas, disputas por território e o comportamento reprodutivo, situações que aumentam o risco de disseminação da doença entre os animais. "Ao controlar a população de gatos e reduzir esses comportamentos, também diminuímos a circulação da esporotricose, impactando na saúde dos paranaenses", afirma Souza.
O CastraPet Paraná contempla animais da população de baixa renda, de pessoas vinculadas a organizações da sociedade civil e protetores independentes. O investimento do Governo do Estado nesta quinta etapa do projeto é de R$ 19,8 milhões, um incremento de 106% em relação ao quarto período, concluído em maio do ano passado. A contrapartida dos municípios é de aproximadamente R$ 1,8 milhão, recursos que serão usados na impressão de 469 mil cartilhas sobre maus-tratos, na aplicação de 731 mil vacinas antirrábicas e na confecção de 582 mil placas temáticas sobre biodiversidade.
Além da esterilização, o programa propõe ações de educação voltadas à tutela responsável de cães e gatos, contribuindo para a conscientização ambiental, especialmente entre crianças e adolescentes. Outro requisito consiste na intensificação da vacinação antirrábica nos animais, visando à promoção da saúde pública, bem como na implantação de placas informativas em parques e unidades de conservação, com orientações voltadas à causa animal.
O Governo do Estado fiscaliza as atividades organizadas por todas as cidades parceiras do projeto. O programa também oferece, no local das ações do CastraPet, orientações sobre os cuidados pós-cirúrgicos, incluindo instruções detalhadas sobre o uso correto da medicação fornecida. Durante o período de recuperação dos animais, enquanto aguardam no pós-operatório, são reproduzidos áudios com informações e orientações sobre o bem-estar e os cuidados com os pets.

