O outono começa oficialmente nesta sexta-feira (20), trazendo consigo temperaturas mais amenas e uma preocupação extra para a saúde pública. Com a mudança de estação, aumenta a incidência de doenças respiratórias, e a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) reforça a necessidade de atenção redobrada aos cuidados preventivos.

Segundo a Sesa, a tendência é que haja uma baixa na imunidade por conta dessa transição climática, o que exige cuidados especiais com doenças típicas do período, como gripe, pneumonia, sinusite e outras que atingem as vias respiratórias. Embora a vigilância com a saúde deva ser constante ao longo do ano, no outono e no inverno a atenção precisa ser intensificada devido ao aumento de problemas respiratórios, especialmente entre crianças e idosos.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destaca a importância da vacinação contra a gripe neste período. "A vacina da gripe é importante. As pessoas que têm uma fragilidade maior ou são dos grupos prioritários devem ficar atentas. Todos os anos o imunizante é atualizado para garantir maior proteção à população", afirma. Habitualmente, entre março e maio, ocorre a campanha de vacinação contra a gripe, e a população deve ficar atenta ao calendário para se imunizar.

Publicidade
Publicidade

Rosana Piler, chefe da Divisão de Doenças Transmissíveis da Secretaria da Saúde, explica que o outono costuma apresentar redução da umidade do ar e variações mais acentuadas de temperatura. "Além disso, assim como no inverno, é comum que as pessoas permaneçam por mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão de vírus", diz. Esses fatores contribuem para o aumento de poluentes e para o ressecamento das vias respiratórias, criando um ambiente propício para a propagação de doenças.

A Secretaria da Saúde orienta sobre os principais cuidados a serem adotados: manter-se hidratado, garantir que os ambientes estejam arejados, higienizar as mãos com frequência e, principalmente, manter a imunização em dia. Essas medidas simples podem fazer uma grande diferença na prevenção de complicações respiratórias.

Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) de 2025, referentes às internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que adultos com mais de 50 anos e crianças menores de um ano foram os grupos que mais internaram por doenças respiratórias no Paraná. Das 125.059 internações em casos de Influenza, pneumonias, bronquite e bronquiolite, 59.498 (47,6%) foram em pacientes com mais de 50 anos e 10.820 (8,7%) em crianças menores de um ano de idade.

Entre as doenças imunopreveníveis, ou seja, aquelas que podem ser evitadas com vacinas, estão a gripe, a Covid-19 e a pneumonia. A imunização é uma das estratégias mais eficazes para prevenir e controlar essas infecções respiratórias e está disponível gratuitamente pelo SUS. Confira algumas vacinas que ajudam a reduzir o risco de formas graves das doenças:

Influenza (gripe) – A vacinação ocorre segundo duas estratégias. A primeira é de rotina para crianças a partir de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes, com doses aplicadas ao longo do ano e meta de cobertura vacinal de 90%. A segunda é a estratégia de campanha, voltada para grupos específicos a serem anunciados.

Covid-19 – A vacina está disponível no calendário nacional para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes, sendo ofertada de forma rotineira. Para idosos, a recomendação é de uma dose a cada seis meses, enquanto gestantes devem receber uma dose em cada gestação. Crianças nessa faixa etária devem completar o esquema com três doses.

Pneumonia – Para a prevenção de casos graves, o SUS oferta três imunizantes: a Pneumocócica 10 conjugada, para crianças de 2 meses a 4 anos, e as vacinas pneumocócicas 23-valente polissacarídica e 13-valente conjugada, destinadas a pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais, mediante avaliação dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Com a chegada do outono, a mensagem da Sesa é clara: a prevenção é a melhor arma contra as doenças respiratórias. Manter os cuidados básicos e a vacinação em dia pode proteger não apenas a saúde individual, mas também contribuir para a redução da sobrecarga no sistema de saúde.