Para o trio OsGilsons, a música nasce de uma batida orgânica que dispensa baterias eletrônicas. "O tambor é o coração", resume Fran, um dos integrantes, destacando a presença do atabaque e do timbal como base rítmica. É dessa sonoridade, que remete à tradição e ao afeto, que surge "Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão", o segundo álbum de estúdio do grupo.

O trabalho incorpora texturas eletrônicas sutis e beats, mas mantém a batucada como guia principal. Diferente do primeiro disco, "Pra Gente Acordar", que trazia uma energia solar, o novo repertório apresenta um "otimismo um pouco mais denso", nas palavras dos artistas. Eles explicam que o projeto não ignora os desafios recentes, mas os abraça, usando a música como trilho para atravessar as sombras.

"É um processo já de a gente canalizar. Então, é inevitável que esse canal que a gente tenha criado seja uma luz em meio a tudo", afirma José, outro membro do trio. Essa dualidade entre luz e escuridão se reflete na poética das canções, especialmente através da simbolismo da flor, presente em faixas como "Visão" e "Minha Flor".

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Para João, o terceiro integrante, este momento da carreira traduz sentimentos de saudade e esperança por um mundo mais justo. Sonoramente, o álbum se apresenta como um exercício de coragem, apoiado na força construída coletivamente pelo grupo. "A beleza de um buquê maravilhoso que, em uma semana, já não tem a mesma forma, é o ciclo das coisas", reflete Fran, destacando como o disco captura a efemeridade e a resiliência.