O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou publicamente nesta quarta-feira (22) a ação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. Em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, Lula afirmou que a medida corresponde ao princípio da reciprocidade.

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", disse o presidente, referindo-se à decisão do governo norte-americano de determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, do território dos Estados Unidos.

A iniciativa brasileira ocorre em resposta direta à ação dos EUA. O delegado Marcelo de Carvalho teria atuado na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista e é considerado foragido da Justiça brasileira.

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O Ministério das Relações Exteriores (MRE) havia informado, em nota publicada na rede X na terça-feira (21), que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada sobre a aplicação do princípio da reciprocidade "diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso". A nota destacou ainda que a medida dos EUA "tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação".

O caso envolve um acordo bilateral de cooperação na área policial. Segundo o MRE, "o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança". Por isso, o Brasil decidiu adotar o mesmo tratamento ao agente norte-americano.

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos havia informado na última segunda-feira (20) que pediu a saída de um "funcionário brasileiro" do território norte-americano. Embora a postagem não citasse nomes, o texto indicava que se tratava do delegado Marcelo de Carvalho, envolvido na prisão de Alexandre Ramagem.

Em dezembro de 2025, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

No mesmo vídeo em que comentou o caso, Lula anunciou ainda a contratação de 1 mil novos agentes para a Polícia Federal, que irão reforçar a atuação da corporação nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, a medida faz parte do compromisso do governo com o combate ao crime organizado.