A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) abriu oficialmente a temporada 2026 na noite desta quinta-feira (12), no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto do Teatro Guaíra, com a casa cheia e um momento histórico: a estreia do novo piano de cauda da Steinway & Sons. Sob a regência de Roberto Tibiriçá, diretor musical e maestro titular da OSP, o concerto, que marcou também a primeira apresentação da Série Ouro deste ano, reuniu mais de duas mil pessoas no Guairão.

A apresentação iniciou com duas obras vibrantes, profundamente complexas e intensas. Na primeira parte, o pianista irlandês Barry Douglas, solista convidado, executou o "Concerto nº 3 para piano em ré menor, Op. 30", de Sergei Rachmaninov — conhecido pelo virtuosismo extremo e pela intensidade emocional, considerado uma das obras mais difíceis do repertório orquestral. Na segunda parte, a orquestra apresentou a "Sinfonia nº 1 em ré maior – Titã", de Gustav Mahler, uma peça igualmente monumental, com diversas referências simbólicas de força, transformação e triunfo.

Para o público que acompanhou esse momento histórico da OSP, foi um espetáculo inesquecível. O universitário João Pedro Vieira Souza, estudante de engenharia mecânica, veio pela primeira vez ao concerto com um grupo de amigos para ver de perto o novo piano. "Ficamos muito curiosos depois que soubemos da aquisição do piano e decidimos vir assistir. A orquestra é impressionante, vou voltar com certeza", comentou.

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Para as amigas aposentada Mara Caldas e a psicóloga Elizabeth Amaral, o momento foi especial: as duas, que não se viam há tempos, se reencontraram durante o concerto e saíram maravilhadas. "A orquestra é um orgulho tremendo para todos nós. As duas obras apresentadas mostram um nível elevadíssimo; não tinha como não se emocionar e sair daqui com o coração transbordando", disse Mara. "E também não podemos esquecer a apresentação de Barry Douglas, que foi incrível", complementou Elizabeth.

O pianista Rafael Ruiz Costa, uma das grandes revelações da música erudita, veio de Minas Gerais especialmente para acompanhar o concerto. Ele, que já tocou sob a regência do maestro Roberto Tibiriçá em duas oportunidades e se formou no prestigiado Royal College of Music, na Inglaterra, assistiu também ao ensaio geral da orquestra. "Foi uma oportunidade imperdível. Ouvir grandes músicos como Barry Douglas de perto estimula os músicos a continuarem estudando. Mas é importante também para o público aproveitar essa chance, com acesso a concertos de grandes artistas que se apresentam em qualquer parte do mundo", comentou Rafael.

A abertura da temporada da OSP neste ano abriu um novo capítulo na história da orquestra, com a chegada do instrumento considerado padrão mundial entre pianos de concerto. Antes de iniciar a apresentação, uma breve cerimônia homenageou a pianista Analaura Sousa Pinto, fundadora da OSP e figura central na história do instrumento na instituição. Em gesto simbólico, ela foi convidada ao palco para interpretar um solo no novo piano: a "Étude Op. 25 nº 12", de Frédéric Chopin, marcando o primeiro momento musical do instrumento diante do público.

"Fiquei muito feliz e emocionada com a homenagem, me senti muito honrada. Tocar nesse piano foi um privilégio. Fiquei um pouco tensa, mas valeu a pena", comentou Analaura, emocionada, após a apresentação.

O diretor-presidente do CCTG, Cleverson Cavalheiro, destacou o significado do momento para a instituição e para a cultura paranaense. "Estamos muito emocionados abrindo o teatro com um grande espetáculo e um grande solista. Nossa orquestra está muito empenhada na abertura da temporada. Acredito que será um ano muito importante; temos um compromisso e uma responsabilidade com a arte, com os artistas. A compra do piano e dos demais instrumentos é mais uma mostra de algo que o público vai poder aproveitar por gerações", disse.

"É todo um investimento feito, desde o piano apresentado hoje até o da infraestrutura, é um verdadeiro legado deixado pelo governo Ratinho Junior", declarou a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira.

Além do piano Steinway & Sons, a OSP já recebeu uma nova harpa — modelo Apollo, com 47 cordas —, que será apresentada ao público em concerto no dia 28 de junho. A orquestra também aguarda ao longo do ano a chegada de outros oito instrumentos: um cravo (a ser apresentado no mesmo dia da harpa), um órgão eletrônico, uma celesta, dois contrabaixos de cinco cordas e dois trompetes de rotor.

A programação de 2026 foi planejada para destacar as características de cada novo instrumento em concertos que evidenciam sua sonoridade e beleza. Toda a programação dos concertos da OSP pode ser consultada no site da Orquestra Sinfônica do Paraná. O próximo concerto de apresentação do novo piano será neste domingo (15), com ingressos já esgotados.