A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (24) uma das maiores operações contra crimes digitais dos últimos tempos. Batizada de Operação Interestadual Fim da Fábula, a ação tem como objetivo desarticular uma associação criminosa especializada em estelionatos por meio digital, que atuava em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

No total, estão sendo cumpridos 173 mandados judiciais – sendo 120 de busca e apreensão e 53 de prisão temporária. A operação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em parceria com o Ministério Público, através do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp). Os trabalhos ocorrem no âmbito da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), especificamente pela 6ª Delegacia de Facções e Lavagem de Dinheiro.

Segundo as investigações, os alvos da operação são suspeitos de aplicar diversos tipos de fraudes, incluindo o conhecido "golpe do INSS", o "golpe do falso advogado" e o "golpe da mão fantasma". Os criminosos utilizavam plataformas de apostas online e fintechs para movimentar o dinheiro obtido de forma ilícita. Uma das técnicas empregadas era a clonagem de chaves Pix das vítimas, permitindo transferências diretas para contas controladas pela quadrilha. O inquérito policial também investiga o crime de lavagem de dinheiro.

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Além das prisões e buscas, a operação tem um forte componente de combate ao patrimônio ilícito. O Gaepp identificou pelo menos 36 imóveis ligados ao grupo, incluindo bens registrados em nome de laranjas e empresas de fachada. Centenas de veículos e embarcações também foram mapeados. A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas correntes – de pessoas físicas e jurídicas – identificadas na investigação.

As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista. Cerca de 400 policiais do Deic e promotores de Justiça estão envolvidos na ação, que conta ainda com o apoio de outros departamentos da Polícia Civil de São Paulo, além das Polícias Civis de Minas Gerais e do Distrito Federal.

A operação representa um golpe significativo em uma rede criminosa que se aproveitava da digitalização e do desconhecimento de muitas vítimas para aplicar golpes que, em muitos casos, resultavam em perdas financeiras devastadoras. As autoridades destacam que a investigação segue em andamento e que novas medidas podem ser tomadas à medida que novas evidências forem coletadas.