A integração entre o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e a Polícia Civil do Paraná (PCPR), coordenada pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), foi decisiva para o resgate do jovem de 20 anos que se perdeu na mata da região do Pico Paraná no dia 1º de janeiro e foi encontrado com vida na manhã desta segunda-feira (5). O preparo do efetivo mobilizado, com cerca de 100 profissionais das forças de segurança, garantiu a cobertura de uma vasta extensão em área de densa floresta e terreno íngreme na montanha mais alta do Sul do Brasil, com o apoio crucial de voluntários especializados.

De acordo com o secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, o treino aliado à experiência dos agentes se somou ao emprego de tecnologia, drones e helicópteros das forças de segurança, incluindo o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA). "Ao longo de todo o período, foram empregados bombeiros militares, policiais militares e policiais civis especializados em operações de busca e salvamento em ambiente de montanha, além do apoio de três aeronaves do Estado do Paraná, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar", afirmou.

O secretário destacou que todos os esforços se devem à alta complexidade do terreno de trilha e ao avanço do tempo. O jovem ficou por cinco dias à mercê das intempéries e percorreu cerca de 20 quilômetros até encontrar abrigo em uma fazenda em Antonina, no Litoral. "A operação também contou com a colaboração de diversos voluntários, incluindo especialistas em alpinismo e montanhismo. A preocupação aumentava em razão da complexidade da trilha e do passar dos dias sem informações sobre o paradeiro do jovem", explicou.

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A operação de busca envolveu cerca de 300 voluntários, incluindo especialistas em alpinismo e montanhismo do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e do Instituto de Água e Terra (IAT). "O Paraná agradece o apoio de todos os voluntários que participaram da operação e parabeniza os bombeiros militares envolvidos", afirmou o secretário. Ele destacou ainda o trabalho da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) e da Polícia Ambiental ao longo das buscas.

O comandante-geral do CBMPR, coronel Antônio Geraldo Hiller, frisou o emprego das aeronaves do BPMOA, tanto nas buscas quanto no deslocamento de equipes de busca, em especial o Cosmo. "Drones com câmeras termais e helicópteros com o equipamento buscando identificar os pontos de calor que pudessem indicar a localização do jovem. Foram cerca de 60 integrantes das forças de segurança empenhados nas buscas, além de diversos voluntários", explicou. Segundo ele, o caminho percorrido pelo jovem foi o mesmo do GOST, no Vale do Cacatu, uma central geradora hidrelétrica, no rio de mesmo nome.

O comandante do BPMOA, tenente-coronel Andrey Müller Lark, disse que a unidade especializada utilizou duas aeronaves, uma partindo de Curitiba e outra do Litoral. "A aeronave de Curitiba foi empregada no transporte de tropas e materiais desde o primeiro dia, quando as equipes ainda estruturavam a linha de ação e dividiam as áreas de atuação. A segunda aeronave, do Projeto Falcão, atuou com tecnologia embarcada, incluindo câmera termal e transmissão de imagens ao posto de comando, auxiliando na identificação de trilhas e na tentativa de localização", afirmou.

De acordo com o coronel, as condições meteorológicas impediram o uso das aeronaves em alguns momentos, mas o foco sempre foi a localização do jovem. "No final da manhã de hoje ele foi encontrado com vida, que era o nosso principal objetivo desde o início da operação". Outro momento importante da atuação do BPMOA foi o translado de equipamentos. No segundo e no terceiro dias, foram transportados bombeiros, barracas, materiais de acampamento e drones. No terceiro dia, com condições meteorológicas mais favoráveis, foi realizada a maior operação logística, com o transporte de 17 pessoas da base do acampamento até o ponto, local estratégico para a distribuição das equipes de busca.

A informação de que o jovem havia encontrado ajuda em uma fazenda no município de Antonina foi relatada pelos proprietários à Polícia Militar pelo 190. A viatura deslocada ao local integra o Verão Maior Paraná que acontece no Litoral e nas regiões Oeste e Noroeste. O Corpo de Bombeiros foi acionado, assim como a Polícia Civil, que já havia colhido depoimentos de testemunhas do desaparecimento, entre elas a jovem que acompanhava o desaparecido, um outro jovem que estava na trilha, além da irmã e da mãe do rapaz que se perdeu durante a incursão.

A Polícia Civil do Paraná já o ouviu nesta segunda-feira (5), ainda após o primeiro atendimento no hospital de Antonina, para entender a dinâmica do caso e esclarecer as circunstâncias do desaparecimento. Segundo o delegado Gleison Lima Rodrigues, de Campina Grande do Sul, local do desaparecimento, desde a informação da ocorrência foram feitas a coleta de informações e a análise dos dados. "Em respeito ao estado de saúde do jovem, foram feitas oitivas preliminares e, caso necessário o ouviremos novamente para adicionar informações ao inquérito, voltando a procurá-lo, seja em sua casa, seja na delegacia", explicou.

De acordo com o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), unidade especializada do CBMPR, o jovem conseguiu caminhar sozinho pela mata e chegou até uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, no Litoral. A região corresponde a uma das rotas de descida do Pico Paraná. Equipes do Corpo de Bombeiros de Antonina foram acionadas para o atendimento e o transporte até o hospital do município. "Felizmente, ele conseguiu superar as adversidades, descer as encostas e chegar até a localidade", afirmou o comandante. Segundo ele, no momento da comunicação oficial, as equipes ainda não haviam feito contato direto com o jovem, mas uma ambulância de Antonina já havia sido acionada para o atendimento e encaminhamento hospitalar.

O Hospital Municipal de Antonina informou para a Secretaria de Estado da Saúde no começo da tarde que o paciente está lúcido, apresenta sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal. Ele foi submetido à profilaxia medicamentosa e reidratação endovenosa. Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem para investigação complementar e ele vai permanecer sob observação enquanto aguarda os resultados.