Cerca de dois dias depois de ter sido resgatada em uma residência de Maringá, no Noroeste do Paraná, uma jovem onça-parda (Puma concolor) voltou para casa. O felino, encontrado na terça-feira (3), foi solto nesta quinta-feira (5) em uma área de proteção ambiental da região, após passar por uma bateria de exames no Centro de Atendimento à Fauna Silvestre (CAFS) do Centro Universitário Filadélfia (Unifil) em Londrina.

O CAFS é uma instituição conveniada ao Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do Estado do Paraná. Após a captura, o animal foi levado ao centro, onde técnicos realizaram avaliações para verificar suas condições de saúde. "Depois dos exames foi possível constatar que o animal, uma fêmea de aproximadamente de 18 meses de idade e pesando 28 quilos, não apresentava nenhuma alteração ou complicação que impedisse o retorno à natureza", explica o médico veterinário do IAT, Pedro Chaves de Camargo.

Camargo complementa que "o objetivo nestas situações é fazer a soltura o mais rápido possível, em um local definido pelo IAT, onde podemos manter o monitoramento do animal". A soltura foi realizada por técnicos da Unifil e oficiais do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), garantindo que o procedimento fosse feito com segurança tanto para a onça quanto para a equipe.

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A onça-parda, também conhecida como puma ou suçuarana, é um felino de pelagem acastanhada, com exceção da região ventral, que é mais clara. É uma espécie adaptável, capaz de viver em ambientes variados, como montanhosos, desertos ou florestas. São animais carnívoros, solitários, territorialistas e com hábitos predominantemente noturnos, alimentando-se principalmente de pequenos mamíferos e aves. O peso e o tamanho podem variar conforme a região onde vivem.

O trabalho do CAFS segue diretrizes estabelecidas pela Instrução Normativa 06 de 2025. Esses centros são preparados para receber, identificar, marcar, triar, avaliar, estabelecer tratamento veterinário e definir a destinação de animais silvestres acolhidos em ações de fiscalização, resgates ou entregas voluntárias por particulares.

A permanência dos animais nesses locais depende do tempo necessário para sua recuperação. O destino ideal é sempre a soltura no habitat natural. No entanto, quando há risco para a sobrevivência do animal se devolvido à natureza, eles são encaminhados a empreendimentos licenciados pelo IAT ou a mantenedores individuais igualmente habilitados pelo órgão ambiental.

Os atendimentos variam conforme cada caso, mas geralmente consistem na avaliação clínica do animal e, se necessário, tratamento de doenças, acompanhamento biológico, administração de medicações, aplicação de curativos e realização de procedimentos cirúrgicos. Essas ações não são obrigatórias para todos os CAFS, mas podem ser realizadas no local quando a estrutura permite. Esse tipo de atenção é fundamental para proteger a fauna silvestre e ajudar a prevenir o aumento de espécies em risco de extinção.

Para a população que deseja ajudar a fauna silvestre, o IAT orienta que, ao avistar algum animal ferido ou para denúncias de atividades ilegais contra animais, entre em contato por meio da Ouvidoria do Instituto Água e Terra. Outra opção é ligar para o Disque Denúncia 181. É importante informar de forma objetiva e precisa a localização e o que aconteceu com o animal. Quanto mais detalhes sobre a ocorrência, melhor será a apuração dos fatos e mais rapidamente as equipes especializadas conseguirão fazer o atendimento necessário.