O governador Carlos Massa Ratinho Junior deu início, nesta quinta-feira (13), às obras de urbanização da comunidade Bubas, em Foz do Iguaçu, encerrando 25 anos de espera por infraestrutura básica. A maior ocupação urbana do Paraná, que abriga cerca de 1,8 mil famílias em uma área de 40 hectares no bairro Porto Meira, receberá pavimentação, redes de drenagem, água e esgoto em um projeto que promete transformar radicalmente a qualidade de vida dos moradores.
O investimento total de R$ 23,5 milhões é dividido entre o Governo do Estado, que aporta R$ 12 milhões através do Paranacidade (serviço social autônomo vinculado à Secretaria de Estado das Cidades), e a Prefeitura de Foz do Iguaçu, com contrapartida de R$ 11,5 milhões. O processo que levou à urbanização contou com intermediação do Tribunal de Justiça do Paraná, marcando um marco na regularização fundiária da região.
Durante a cerimônia de início das obras, o governador Ratinho Junior destacou o significado histórico do momento. "Para nós é uma vitória. Estamos muito felizes de estar aqui hoje no Bubas junto com a comunidade, com as autoridades e com a Sanepar. Esse é o primeiro passo: tudo começa pela água potável e pelo saneamento básico", afirmou o governador, emocionado com a realização de um sonho antigo das famílias.
O projeto de urbanização abrange uma área de 523,3 mil metros quadrados e representa o início de um amplo programa de desfavelamento no estado. "Estamos iniciando um grande programa de desfavelamento, talvez um dos maiores do Brasil. São mais de 6 mil pessoas vivendo aqui. Teremos saneamento básico, água potável, pavimentação, meio-fio, calçadas, iluminação de LED. O Bubas vai deixar de ser ocupação e se tornar um grande bairro de Foz do Iguaçu", projetou Ratinho Junior.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, enfatizou a importância simbólica da urbanização para a autoestima dos moradores. "É um momento de desenvolvimento, dignidade e de qualidade de vida. Os moradores vão poder dizer: 'esse chão é meu'. Terão a segurança de morar em uma casa própria, sob um teto que é deles, em um lugar urbanizado e de qualidade", declarou o prefeito.
O secretário estadual das Cidades, Guto Silva, reforçou o caráter transformador da obra. "Essa é uma obra muito esperada. O Bubas é praticamente uma cidade e agora, com a urbanização, vamos levar ruas, calçadas, galerias, iluminação, e isso muda tudo. Melhora a educação, a saúde e a autoestima da população", explicou o secretário, destacando o impacto social do projeto.
Para a comunidade, o início das obras representa a concretização de décadas de luta. Ronaldo Vargas Soares, vice-presidente da Associação de Moradores do Bubas, não escondeu a emoção. "Depois de tanta luta, estamos chegando perto do final dessa caminhada. É muito gratificante ver que está acontecendo de verdade. O governador Ratinho falou, fez e está mostrando para o povo que vai acontecer", comemorou o líder comunitário.
O papel da Sanepar é fundamental no processo de urbanização. A companhia investiu R$ 3,9 milhões na aquisição de materiais para instalação de aproximadamente 30 quilômetros de redes - sendo 15 quilômetros para abastecimento de água e 15,5 quilômetros para coleta de esgoto. O projeto inclui ainda uma unidade de bombeamento de esgoto que levará os resíduos até a estação de tratamento Ouro Verde, que será ampliada com mais um módulo de tratamento.
Wilson Bley Lipski, presidente da Sanepar, explicou a importância do saneamento para a saúde pública. "Vamos fazer toda a drenagem, trazer água potável e fazer o esgotamento sanitário. É um trabalho que traz inclusão social. Onde não há saneamento, existem problemas de saúde pública. Aqui não é diferente. A fossa extravasa quando chove, é um problema seríssimo que queremos resolver de forma definitiva", afirmou Lipski.
Atualmente, os moradores do Bubas enfrentam condições precárias de infraestrutura. O abastecimento de água é feito através de "torneirões" - instalações coletivas que fornecem água de forma irregular - e não há sistema de coleta e tratamento de esgoto, situação que gera constantes problemas de saúde na comunidade.
Maria Helena de Jesus, moradora da ocupação, descreveu a realidade atual: "Hoje tem um beco de terra que desce e traz toda a lama pro calçamento. Quando chove, a rua some debaixo do barro. Ali tem muita gente doente por causa da falta de esgoto. Agora, eu creio em Deus que vai melhorar", disse esperançosa.
Edineuza da Silva Alves, de 60 anos - sendo 30 deles como residente na comunidade - compartilha do mesmo sentimento. "Nós sofremos muito quando chove forte, porque alaga as ruas e, às vezes, a água entra dentro de casa. Mas agora isso vai acabar, e a gente está muito feliz. Todo ser humano merece viver com dignidade. Quando as máquinas chegarem, não vamos reclamar, vamos agradecer", emocionou-se a moradora.
A solenidade de início das obras contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o vice-governador Darci Piana; o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi; secretários estaduais; deputados federais e estaduais; e o diretor-presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Souza, demonstrando a importância política e social do projeto para o desenvolvimento regional.
A urbanização do Bubas representa não apenas a melhoria da infraestrutura física, mas também o reconhecimento oficial de uma comunidade que há décadas luta por dignidade e cidadania. Com a transformação da maior ocupação urbana do Paraná em um bairro regularizado, Foz do Iguaçu dá um passo significativo na redução do déficit habitacional e na promoção da justiça social.

