Programa Animais são Anjos - dois animais em cada casa do planeta!
Seria um "show do milhão de adoções", uma competição entre cidades, para ver qual delas conseguiria esvaziar os abrigos e adotar todos os animais sem lar. Entradas ao vivo durante a semana, reportagens com dicas de posse responsável e, no sábado, um grande mutirão de eventos de adoção e a limpeza simbólica dos abrigos vazios, mostrando que o número de animais sem lar é equivalente a cinco ou dez por cento da população humana, basta querer, que o problema se transforma em solução!
A sinopse foi encaminhada para cerca de cem emissoras, as quais responderam com um silêncio eloquente e algumas usaram dez por cento da ideia, deturpando o sentido filantrópico do programa original e colocando bonecos de cera midiáticos para apresentar algo que merecia respeito, pois tratam-se de seres vivos, não apenas de fontes de lucro.
A ilustração da matéria está distorcida, para evitar problemas com o uso do logotipo da emissora, mas faz um trocadilho com "Globo bicho", transformando o apelido pejorativo em slogan, uma tremenda jogada de Marketing, mas eles preferiram vomitar mais do mesmo.
Em paralelo, haveria a Lei Nardino Francisco de Oliveira, rebatizada com o nome de um pioneiro protetor de animais da cidade de São Paulo, já falecido, para evitar uso político. Essa lei, remuneraria cada protetor independente com vinte por cento de um salário mínimo a cada animal adotado, mediante seu trabalho educativo. Teve nove votos no Senado (precisaria ter vinte mil), foi apresentada na Câmara Municipal de Curitiba e caiu no esquecimento. Uma das hipóteses é de que essa lei abalaria as estruturas de uma grande máfia que explora o sofrimento dos animais, mas isso é só especulação...
Depois de cada tragédia, aparecem os oportunistas e os atos simbólicos. Na semana que vem, já não se fala mais no Orelha.

