O Governo de São Paulo deu um passo decisivo na quinta-feira passada (26) com o leilão do projeto do novo centro administrativo na região dos Campos Elíseos, no centro da capital paulista. O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu a disputa e será responsável por um dos maiores projetos urbanísticos dos últimos anos na cidade, com investimentos estimados em R$ 6 bilhões.

O projeto prevê a construção de sete edifícios e dez torres que vão abrigar o gabinete do governador, secretarias e órgãos estaduais, atualmente espalhados por mais de 40 endereços diferentes em São Paulo. A centralização promete trazer maior eficiência administrativa e reduzir custos operacionais do Estado.

Benefícios para a cidade

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Contrariando críticas de que a mudança não traria benefícios para São Paulo, o projeto foi estruturado dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI-SP) com base em estudos técnicos que apontam ganhos urbanísticos e administrativos. A requalificação da região central é um dos principais objetivos, com novos prédios, empreendimentos comerciais e opções de lazer e cultura.

Atualmente, os órgãos estaduais ocupam cerca de 850 mil m² em diversos endereços, com múltiplos contratos de manutenção, segurança e aluguel. O novo complexo concentrará os servidores em aproximadamente 250 mil m² de estrutura moderna, o que deve significar redução significativa nas despesas operacionais do Estado.

Geração de empregos

Durante o ciclo de investimentos, o projeto deve gerar cerca de 38 mil empregos diretos e indiretos. Após a conclusão das obras, o aumento da circulação de pessoas na região deve manter aproximadamente 2,85 mil empregos formais, aquecendo o comércio e serviços locais.

Desapropriações e diálogo

O projeto prevê a desapropriação de cerca de 300 imóveis, entre residenciais e comerciais, número que será confirmado por um censo detalhado a ser realizado pela concessionária. O processo seguirá os instrumentos legais previstos para projetos de interesse público, com indenização adequada e diálogo permanente com moradores e comerciantes.

O Governo de São Paulo já reservou cerca de R$ 500 milhões para apoiar as desapropriações necessárias. Os proprietários serão indenizados com valores compatíveis ao mercado local, permitindo a aquisição de imóveis equivalentes na mesma região. Para famílias em situação de vulnerabilidade, o projeto prevê medidas específicas de reassentamento, com prioridade para permanência na própria região ou em áreas próximas com acesso a transporte público.

Preservação do patrimônio histórico

Um aspecto importante do projeto é a preservação do patrimônio histórico da região. A concessão prevê o restauro de 17 imóveis, muitos deles antigas residências construídas entre o fim do século XIX e início do século XX. O Palácio dos Campos Elíseos também será restaurado e usado para recepções oficiais e eventos institucionais.

As construções restauradas receberão novos usos, como atividades culturais, gastronômicas, serviços e comércios, integrando-se ao novo complexo administrativo.

Mobilidade urbana

O projeto inclui a construção de um novo terminal de ônibus que substituirá o atual Terminal Princesa Isabel. Localizado próximo ao futuro complexo estadual nos Campos Elíseos, na região da Luz, o novo terminal facilitará a integração com as linhas do metrô e da CPTM.

As obras do terminal estão previstas para começar no primeiro ano de concessão e serem concluídas no segundo ano do contrato. A mudança foi coordenada com a prefeitura e a SPTrans para não impactar o traçado das atuais linhas de ônibus que atendem a região.

Requalificação urbana

O projeto do Novo Centro Administrativo faz parte de uma estratégia mais ampla de requalificação urbana para a região central de São Paulo. Com um projeto arquitetônico focado na escala humana e mobilidade ativa, advindo de concurso público de arquitetura, a expectativa é que o fluxo permanente de milhares de servidores estimule a atividade econômica local.

Essa estratégia se relaciona com outras ações recentes no território, incluindo intervenções nas áreas de Saúde, Segurança Pública e Habitação que transformaram a região nos últimos anos.

O novo centro administrativo representa não apenas uma modernização da estrutura governamental, mas também uma aposta na revitalização do coração de São Paulo, trazendo desenvolvimento econômico e qualidade urbana para uma região que há décadas enfrenta desafios de esvaziamento e degradação.