A NASA e o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) interromperam o uso de vans elétricas da Canoo, startup de veículos elétricos que declarou falência em janeiro de 2025. A decisão ocorre apesar da promessa pública do ex-CEO Tony Aquila de que honraria os compromissos de suporte aos programas governamentais após adquirir os ativos da empresa por US$ 4 milhões em leilão judicial.
A NASA havia adquirido três veículos em 2023 com planos ambiciosos: transportar astronautas até a plataforma de lançamento das missões Artemis à Lua. Porém, a agência espacial informou ao TechCrunch que a Canoo "não era mais capaz de atender aos requisitos da missão". Desde outubro, a NASA está alugando o "Astrovan" da Boeing, um veículo construído pela Airstream originalmente para missões tripuladas da própria Boeing.
O USPS também confirmou que seus seis veículos de avaliação estão fora de uso. Em comunicado por e-mail, os Correios americanos afirmaram que "a avaliação foi concluída" e "nenhum investimento adicional é antecipado", embora tenham se recusado a compartilhar detalhes ou resultados finais do teste. O Departamento de Defesa, que recebeu pelo menos um veículo de demonstração antes da falência, não respondeu sobre o status atual do uso.
A falência da Canoo culminou anos de dificuldades financeiras e incapacidade de estabelecer mercado para suas vans elétricas futuristas. O processo de venda dos ativos revelou interesses concorrentes, incluindo a Harbinger (empresa de caminhões elétricos fundada por ex-funcionários da Canoo) e o misterioso financiador britânico Charles Garson, que chegou a oferecer US$ 20 milhões mas não formalizou a proposta a tempo.
Advogados da Canoo e de Aquila argumentaram durante o processo que uma das outras partes interessadas poderia levantar preocupações no Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA devido à "propriedade estrangeira", um ponto particularmente sensível considerando os contratos com agências governamentais. Harbinger havia acusado o administrador judicial de favorecer injustamente Aquila ao aceitar sua oferta sem ampla divulgação dos ativos.
O caso da Canoo ilustra os riscos que agências governamentais enfrentam ao adotar tecnologias de startups emergentes, especialmente em setores críticos como transporte espacial e infraestrutura postal. A interrupção abrupta do suporte técnico e de manutenção compromete investimentos públicos e força a migração para soluções alternativas, como demonstra a decisão da NASA de retornar a veículos tradicionais da indústria aeroespacial estabelecida.

