O cinema brasileiro e a cultura nacional perderam uma de suas vozes mais atuantes e comprometidas. Morreu na madrugada desta quinta-feira (29), aos 77 anos, o cineasta, documentarista e gestor público Silvio Da-Rin, após uma longa internação. O velório e o enterro estão programados para esta sexta-feira (30), no Cemitério São Francisco de Paula, na região central do Rio de Janeiro.

Em nota, o Ministério da Cultura (MinC) manifestou profundo pesar pelo falecimento do cineasta, destacando-o como um intelectual comprometido com o pensamento crítico e com a preservação da memória audiovisual brasileira. A nota afirma que ele deixa um legado imensurável para o cinema nacional e para as políticas públicas voltadas ao setor.

Silvio Da-Rin construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao documentário como ferramenta de reflexão sobre a história, a política e a sociedade brasileira. Ele iniciou sua carreira como técnico de som e integrou equipes de aproximadamente 150 produções audiovisuais, consolidando-se como um profissional de referência nos bastidores e na criação cinematográfica.

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Como diretor, assinou obras fundamentais do documentário brasileiro, muitas delas reconhecidas e premiadas no Brasil e no exterior. Entre seus trabalhos mais emblemáticos está o longa-metragem Hércules 56 (2006), que revisita o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, episódio central da resistência à ditadura civil-militar e que resultou na libertação de 16 presos políticos brasileiros. O filme tornou-se referência ao articular cinema, memória e política, reafirmando o compromisso de Da-Rin com a construção de uma narrativa crítica sobre o país.

Além de sua atuação como realizador, o cineasta teve papel fundamental na formação e no pensamento sobre o documentário. Em 2004, publicou o livro Espelho Partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico, a partir de sua dissertação de mestrado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obra considerada leitura essencial para pesquisadores, estudantes e profissionais do audiovisual.

Da-Rin também se destacou na esfera institucional. Participou ativamente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) e, entre 2007 e 2010, esteve à frente da Secretaria do Audiovisual do MinC, na gestão do cantor e compositor Gilberto Gil, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse período, contribuiu de forma decisiva para o fortalecimento das políticas públicas do setor, o incentivo à produção independente e a valorização do cinema brasileiro em sua diversidade estética e regional.

Em nota, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) manifestou pesar pelo falecimento do cineasta. Da-Rin foi Gerente Executivo de Articulação Internacional e Licenciamento da EBC entre 2010 e 2012, com contribuição ativa para o fortalecimento da comunicação pública.

A trajetória de Silvio Da-Rin se confunde com a própria história do cinema documental brasileiro e com a luta por políticas públicas consistentes para a cultura. Sua morte deixa uma lacuna, mas seu legado – tanto nas telas quanto nas instituições – segue como referência para as novas gerações de cineastas e gestores culturais.