O Instituto Biológico (IB-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, acaba de concluir uma importante etapa de renovação do maior cafezal urbano do mundo, localizado em sua sede na capital paulista. O espaço, que já era referência em pesquisas agrícolas, recebeu cerca de 900 novas mudas de café, ampliando seu potencial científico e mantendo viva uma tradição que remonta à década de 1950.
As novas plantas são das variedades Obatã Amarela, IAC RN 125 e IAC SH3, todas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), outro importante centro de pesquisa paulista. Com essa ampliação, o cafezal passa a contar com aproximadamente 3 mil plantas de diferentes cultivares, que servirão como base para estudos voltados à agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e controle biológico de pragas.
De acordo com a pesquisadora responsável pelo projeto, Harumi Hojo, a renovação marca a etapa final da modernização do plantio. "Estamos concluindo a última etapa da renovação do cafezal do Instituto, com novas variedades que permitem avaliar como diferentes cultivares se comportam em manejo sustentável e nas condições ambientais da capital", explica a especialista.
As novas cultivares trazem características importantes para a cafeicultura sustentável. A IAC RN 125, por exemplo, é resistente a nematoides e à ferrugem do cafeeiro, sendo especialmente indicada para sistemas de agricultura orgânica. Já a IAC SH3 apresenta tolerância ao déficit hídrico, uma qualidade valiosa em um cenário de mudanças climáticas.
Além de servir como campo experimental para diferentes variedades de café, o espaço também funciona como área de estudo sobre biodiversidade e controle natural de pragas. As pesquisas realizadas no local acompanham, por exemplo, o aumento da diversidade de abelhas e abelhas sem ferrão na área, além da presença de inimigos naturais do bicho-mineiro, uma das principais pragas que afetam os cafezais brasileiros.
O Instituto Biológico mantém uma tradição de quase um século em pesquisas agrícolas. Criado em 1927, após a crise provocada pela broca-do-café, a instituição sempre teve como foco o controle biológico e a sanidade agrícola. O cafezal histórico, implantado na década de 1950, hoje funciona como um modelo experimental de produção com práticas regenerativas, incluindo uso de matéria orgânica no solo, adubação verde e incentivo à biodiversidade.
Para quem quiser conhecer esse pedaço do interior paulista no coração da capital, o Instituto Biológico fica localizado na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, na Vila Mariana. As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas através de formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib, uma oportunidade única de ver de perto como a ciência e a agricultura caminham juntas rumo a um futuro mais sustentável.

