Foi sepultada na quinta-feira (25), em São Luís, capital do Maranhão, a líder religiosa Elzita Vieira Martins Coelho, conhecida como Mãe Elzita. Uma das principais referências das religiões de matriz africana no estado, ela faleceu um dia antes, aos 91 anos, sem que a causa da morte fosse divulgada. O velório e o enterro reuniram familiares, filhos e filhas de santo, e membros da comunidade que acompanharam sua trajetória de décadas.
Mãe Elzita era uma figura central do Tambor de Mina, religião afro-brasileira típica do Maranhão, que tem como base o culto a voduns, orixás e encantados. Ela foi fundadora e dirigente do Terreiro Fé em Deus, criado em 1968 no bairro do Sacavém, em São Luís. O espaço se tornou um ponto de resistência e preservação cultural, mantendo vivas tradições que remontam aos tempos da escravidão e da diáspora africana.
Nascida em 16 de janeiro de 1934, na capital maranhense, Elzita foi iniciada no Terreiro Nanã Borokô por sua mãe-de-santo, Dona Denira. Desde cedo, demonstrou dedicação às práticas religiosas e, ao longo da vida, tornou-se uma grande defensora da preservação das religiões de matriz africana, enfrentando preconceitos e contribuindo para o reconhecimento dessas manifestações como parte fundamental da cultura brasileira.
O Tambor de Mina surgiu em São Luís e se expandiu para outros estados da região Norte, como Pará e Amazonas, além de chegar a capitais que receberam grande número de migrantes, como Rio de Janeiro e São Paulo. A religião é conhecida por seus ritmos percussivos, cantos em línguas africanas e rituais que envolvem danças e oferendas, mantendo forte ligação com as raízes ancestrais.
A morte de Mãe Elzita ocorre em um momento de crescente visibilidade das religiões afro-brasileiras, com iniciativas como a doação de acervos culturais ao Arquivo Nacional, projetos que retratam a diversidade religiosa do povo afro-brasileiro e o uso de recursos pedagógicos, como quadrinhos e conversas, para o ensino da história afro em escolas de São Paulo. Sua partida deixa um legado de resistência e fé, lembrando a importância de figuras como ela na manutenção das tradições que formam o tecido social do Brasil.

