O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na noite desta terça-feira (3), que a proposta de lei para acabar com a escala de trabalho 6x1 seja construída em conjunto por empregados, patrões e o governo. A declaração foi feita durante a abertura da Segunda Conferência do Trabalho, que acontece no Anhembi, em São Paulo, até esta quinta-feira (5).
Segundo Lula, é mais vantajoso para os trabalhadores chegar a um acordo com a classe empresarial antes que o tema seja apreciado pelo Congresso Nacional. "É melhor vocês construírem negociando do que vocês terem que engolir uma coisa aberta [vinda do Congresso], e depois ter de recorrer à Justiça do Trabalho", afirmou o presidente durante seu discurso.
O mandatário reforçou a importância de uma solução negociada, acrescentando: "Tanto será melhor para nós se o que sair for o resultado de um acordo entre os empresários, os trabalhadores e o governo". A posição do governo, segundo ele, não irá "pender para um lado" nas discussões, buscando um equilíbrio entre os interesses das partes.
"Não iremos prejudicar os trabalhadores. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira. Nós queremos contribuir para, de forma bem pensada, bem harmonizada, encontrar uma solução", declarou Lula, enfatizando a busca por uma saída que considere tanto os direitos laborais quanto a saúde econômica do país.
A conferência no Anhembi, organizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, tem como objetivo estabelecer diretrizes para a promoção do trabalho decente no Brasil e fortalecer o diálogo social na construção de políticas públicas. O evento reúne representantes de centrais sindicais, entidades empresariais, governo e sociedade civil para debater temas trabalhistas.
A proposta do fim da escala 6x1 – que prevê seis dias de trabalho para um de descanso – tem ganhado força no governo federal. Recentemente, o ministro das Cidades e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, afirmou que acabar com essa jornada é prioridade da gestão Lula. Pesquisa divulgada nesta semana mostra que 73% dos brasileiros apoiam o fim desse regime de trabalho.
O governo sinalizou que pode enviar um projeto de lei com pedido de urgência ao Congresso caso as negociações não avancem. A possibilidade de uma medida legislativa acelerada serve como um incentivo para que as partes cheguem a um consenso na mesa de negociações, evitando uma imposição via parlamento.
A escala 6x1 é comum em setores como comércio, segurança privada e serviços, sendo alvo de críticas por parte de entidades sindicais e especialistas em saúde do trabalhador, que apontam prejuízos à qualidade de vida e aumento do risco de doenças ocupacionais. A defesa de sua manutenção, por outro lado, geralmente vem de representantes do setor empresarial, que argumentam sobre necessidades operacionais e impactos nos custos.
O chamado para um acordo tripartite reflete a estratégia do governo de buscar soluções negociadas para conflitos trabalhistas, resgatando o modelo de diálogo social que marcou gestões anteriores de Lula. O sucesso dessa abordagem, no entanto, dependerá da capacidade de conciliar demandas historicamente antagônicas entre trabalhadores e empregadores.

